IED São Paulo e AIGNEP inovam com novos espaços dedicados ao “Made in Italy”

Como aproximar o conhecimento produzido nas salas de aula dos desafios reais da indústria? Essa foi uma das questões centrais do encontro Internacionalização Estratégica: design, indústria e o legado do Made in Italy, realizado em 27 de outubro, no Istituto Europeo di Design (IED), em São Paulo. O evento marcou a apresentação dos novos espaços da AIGNEP na instituição e reuniu representantes dos setores empresarial, educacional e institucional para discutir inovação, formação profissional e internacionalização.

Com origem em Brescia, na região italiana da Lombardia, a AIGNEP atua no segmento de automação industrial, desenvolvendo componentes e soluções para sistemas de controle de fluidos. Sua aproximação com o IED parte de um interesse comum: conectar conhecimento técnico, criatividade e necessidades concretas das empresas.

Para Gianfranco Pisaneschi, diretor-geral do IED Brasil, diminuir a distância entre academia e mercado é essencial para preparar profissionais mais bem capacitados. Em entrevista ao Jornal Italia, ele destacou a participação de empresas na graduação, pós-graduação e nos cursos de extensão da instituição, por meio de desafios reais e projetos de inovação.

“Dessa forma, o aluno bebe da fonte, a empresa apresenta uma necessidade real e o estudante sai melhor formado”, resume Pisaneschi.

A parceria com a AIGNEP amplia essa proposta com um laboratório de automação industrial, pensado também para a capacitação de funcionários, clientes, fornecedores e parceiros da empresa. A iniciativa abre espaço para que os estudantes conheçam de perto a realidade industrial e explorem como áreas como design de produto, desenho industrial, design estratégico e design de serviços podem contribuir para o desenvolvimento de soluções.

Renato Dall’Amico, CEO da AIGNEP Brasil, vê nessa aproximação uma oportunidade de conectar a criatividade dos estudantes às exigências da indústria. “Mesmo sendo uma empresa industrial de automação, nós também vivemos do design. O produto precisa ter desempenho, qualidade e durabilidade”, afirmou ao Jornal Italia.

Para Dall’Amico, um dos principais desafios está em preparar os profissionais para tecnologias que acompanham a evolução do setor. Quando a formação acadêmica não contempla essas ferramentas, cabe às empresas complementar o aprendizado após a contratação. “Dentro da universidade, esse aluno é trabalhado no momento certo: é trabalhado, e não retrabalhado”, observa.

A questão também se relaciona à internacionalização. Consolidar a presença em outros mercados exige mais do que exportar produtos: envolve compreender as necessidades locais, desenvolver competências e estabelecer relações capazes de sustentar a atuação internacional. Nesse cenário, o Made in Italy não se limita à moda, ao mobiliário ou à arquitetura; também se manifesta na engenharia, na qualidade e na capacidade de desenvolver soluções industriais.

A programação incluiu dois painéis. O primeiro reuniu AIGNEP, SACE e SIMEST, organizações ligadas ao apoio à exportação e à expansão internacional de empresas italianas. O segundo aproximou AIGNEP, IED e ITALCAM, a Câmara de Comércio Italiana de São Paulo, para discutir as conexões entre formação, indústria e relações empresariais entre Brasil e Itália.

O encontro contou ainda com a participação do artista Marquinhos, integrante da Associação dos Pintores com a Boca e os Pés, que apresentou duas obras produzidas especialmente para a AIGNEP.

Ao aproximar educação, indústria e cultura, a iniciativa propõe uma colaboração que vai além da apresentação de novos espaços. O desafio será transformar essa convivência em experiências concretas de formação e inovação, capazes de beneficiar tanto os futuros profissionais quanto as empresas envolvidas.

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