Gastone Novelli: o artista italiano que encontrou no Brasil um novo caminho

Agora, essa história que une Itália e Brasil volta ao centro das atenções. No dia 27 de agosto, o Instituto Italiano de Cultura de São Paulo (IICSP) e o Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC USP) promovem o lançamento do catálogo da exposição “A arte deve viver ao sol. Gastone Novelli no Brasil”, realizada em 2025. O encontro, gratuito e aberto ao público, acontece às 19h, no Auditório Walter Zanini, no MAC USP, e contará com uma palestra do professor Andrea Lombardi, da UFRJ, sobre a trajetória e a obra do artista.
Quando Novelli desembarcou no Brasil, o cenário artístico estava em plena transformação. Era uma época de novas instituições, debates sobre o abstracionismo e experimentações que ajudariam a redesenhar a arte brasileira nas décadas seguintes. Foi nesse ambiente que o artista encontrou espaço para desenvolver novas linguagens. Ele se aproximou de Pietro Maria Bardi, então diretor do MASP, e passou a colaborar com o recém-criado Instituto de Arte Contemporânea, onde lecionou composição e desenho.
No Brasil, Novelli também mergulhou na pintura abstrata, na cerâmica e nos murais, participou de projetos coletivos e esteve presente nas Bienais de São Paulo de 1951 e 1953. Mais do que uma passagem pela América do Sul, aqueles anos representaram um período de amadurecimento artístico. A exposição apresentada em 2025 reuniu 30 obras e procurou justamente recuperar essa fase brasileira, muitas vezes menos conhecida do grande público. A curadoria foi assinada por Ana Magalhães e Marco Rinaldi.
O próprio título da mostra ajuda a entender o espírito daquele momento. A frase foi retirada de um manifesto publicado em 1952 pela Oficina de Arte e assinado por Novelli: “A arte deve viver ao sol, nas praças, em meio ao povo!”. Era uma ideia que combinava perfeitamente com o clima de experimentação do pós-guerra. A arte não deveria permanecer fechada em espaços exclusivos, mas dialogar com a cidade, com a arquitetura, com o desenho industrial e, principalmente, com as pessoas. Mais de sete décadas depois, a frase continua surpreendentemente atual.
O lançamento do catálogo funciona, assim, também como uma oportunidade para redescobrir uma história de encontros culturais. A de um artista italiano que chegou a um Brasil em transformação e encontrou aqui não apenas um lugar para viver, mas um ambiente capaz de influenciar profundamente sua trajetória. Para quem gosta de arte, história e das conexões — muitas vezes pouco conhecidas — entre Itália e Brasil, é uma boa chance de revisitar esse capítulo.
