
Segundo o Trieste News, a aproximação foi apresentada durante o Adria Shipping Summit, realizado em Trieste, por Marcelo Zovico, representante da Autoridade Portuária de Santos. A ideia é explorar a posição estratégica da cidade italiana, que funciona não apenas como porta de entrada para o mercado da Itália, mas também como corredor logístico para diversos países da Europa Central.
Um dos principais atrativos é justamente a ferrovia. Trieste possui uma forte integração entre porto e rede ferroviária, com conexões para o interior do continente. Em 2025, 54% das cargas que passaram pelo terminal utilizavam o modal ferroviário, percentual muito acima da meta europeia de 30% prevista para 2030.
Para Santos, essa estrutura pode representar uma alternativa interessante em um momento de expansão do comércio exterior brasileiro. Nos primeiros oito meses de 2026, o porto movimentou 125,95 milhões de toneladas de mercadorias, alta de 3,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O movimento de contêineres chegou a 4,01 milhões de TEUs, crescimento de 3,9%. Somente em agosto foram 538,2 mil TEUs, o maior volume mensal já registrado pelo terminal.
Santos responde atualmente por cerca de 28% do comércio exterior do Brasil. A movimentação é fortemente voltada às exportações: 93,1 milhões de toneladas embarcaram pelo porto entre janeiro e agosto, contra 32,84 milhões desembarcadas.
Soja, açúcar, carnes e sucos cítricos estão entre os principais produtos transportados.
Do outro lado do Atlântico, Trieste movimentou 29,5 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026, avanço de 2,74%. O porto italiano tem papel estratégico sobretudo pela capacidade de combinar transporte marítimo e ferroviário, facilitando o acesso a mercados além da Itália.
A aproximação ocorre também em um momento de crescimento das relações econômicas entre os dois países. Em 2025, as exportações italianas para o Brasil alcançaram 6,25 bilhões de euros, alta de 6%, enquanto as vendas brasileiras para a Itália chegaram a 4,75 bilhões de euros, crescimento de 15%. A Itália envia principalmente máquinas, equipamentos e produtos farmacêuticos, enquanto o Brasil exporta sobretudo produtos agrícolas e minerais.
As mudanças no comércio internacional e a nova relação comercial entre União Europeia e América do Sul também ajudam a explicar o interesse por novas rotas logísticas. Para Trieste, uma conexão mais estreita com Santos poderia reforçar sua projeção internacional; para o porto brasileiro, significaria ganhar uma porta de entrada com acesso ferroviário direto ao coração da Europa.
Por enquanto, porém, a iniciativa ainda está na fase de aproximação. Nenhum novo serviço marítimo direto entre Santos e Trieste foi anunciado, e os contatos deverão agora mostrar se o interesse dos dois lados poderá se transformar em um acordo operacional.
