No coração do Rione Campo Marzio, entre a Via delle Colonnette e a atual Via Antonio Canova, resiste um dos endereços mais importantes da Roma artística dos séculos XVIII e XIX: o ateliê onde Antonio Canova deu vida a algumas de suas obras-primas e recebeu príncipes, soberanos, colecionadores e intelectuais vindos de toda a Europa.
Discreta à primeira vista, a fachada pouco revela sobre o que aconteceu por trás de suas paredes. Foi ali que trabalhou um dos escultores mais celebrados de seu tempo, transformando o mármore em obras que atravessariam os séculos.
Canova chegou a Roma em 1779 e se estabeleceu definitivamente na cidade em 1781. No Rione Campo Marzio, próximo ao antigo Porto di Ripetta, instalou o grande ateliê que se tornaria o centro de sua produção artística. Em 1803, adquiriu o imóvel e, posteriormente, ampliou suas instalações, transformando-o em uma verdadeira oficina de escultura, onde trabalhava ao lado de numerosos colaboradores.
Foi nesse endereço que ganharam forma obras que entrariam para a história da arte, como Amor e Psique, As Três Graças, Paulina Borghese e Maria Madalena Penitente.
Mas o ateliê era muito mais do que um espaço de criação.
Entre modelos de gesso, blocos de mármore e instrumentos de trabalho, Canova recebia algumas das personalidades mais influentes da Europa de seu tempo. Seu estúdio tornou-se uma parada quase obrigatória para soberanos, aristocratas, colecionadores, antiquários e intelectuais que chegavam a Roma durante o Grand Tour, a tradicional viagem pela Europa que fazia da cidade um dos grandes destinos culturais da época.
A localização também atendia a uma necessidade prática. A proximidade com o rio Tibre facilitava o transporte dos pesados blocos de mármore provenientes de Carrara até o ateliê, onde a matéria bruta começava sua transformação em obras de arte.

