qua. fev 4th, 2026

A trilha mais bonita do mundo não é um mito: ela cruza a Sardenha e muda o seu ritmo

Você não percebe de imediato. Ela não se impõe. Não pede atenção. A trilha mais bonita do mundo não se apresenta como espetáculo, mas como uma promessa lenta, feita de poeira clara, vento salgado e silêncios carregados de história. Aqui, o mar muitas vezes fica em segundo plano, quase tímido, enquanto à frente surgem montanhas marcadas, minas abandonadas, dunas que parecem africanas e vilarejos que aprenderam a conviver com a ausência. Fica na Sardenha e agora é oficial: o Caminho Minerário de Santa Bárbara foi eleito pela Komoot como o melhor itinerário outdoor do planeta.

Não é um prêmio qualquer. A Komoot não é uma vitrine turística, mas a maior plataforma outdoor do mundo, com mais de cinquenta milhões de usuários que caminham, pedalam, exploram e compartilham experiências reais. O Global Choice Award nasce desse olhar coletivo, de quem vive os percursos na pele. E, pela primeira vez, o prêmio foi concedido a um caminho de peregrinação. Um sinal forte, quase simbólico.

A premiação aconteceu em Stuttgart, durante a CMT, a maior feira de turismo do mundo aberta ao público. Na final estavam gigantes do turismo outdoor global, como o Trans Canada Trail e grandes rotas ciclísticas europeias. Ainda assim, venceu um caminho que não promete desempenho, mas transformação. Que não vende adrenalina, e sim memória.

O Caminho Minerário de Santa Bárbara é um percurso circular de cerca de quinhentos quilômetros, dividido em trinta etapas, que atravessa a parte mais áspera e menos óbvia da Sardenha sudoeste. Sulcis, Iglesiente, Guspinese. Terras moldadas pela mineração e hoje marcadas por suas cicatrizes. Caminhar aqui é atravessar um território que nunca é neutro.

Cerca de setenta e cinco por cento do trajeto segue por trilhas, caminhos de mulas e estradas rurais. Em poucas etapas, o cenário muda radicalmente: das falésias de Masua às dunas de Piscinas, dos bosques do Marganai às áreas minerárias de Monteponi, Porto Flavia, Ingurtosu e Montevecchio. Lugares que não pedem fotos, mas respeito.

O percurso começa e termina em Iglesias, formando um círculo que é também simbólico. O caminho é dedicado a Santa Bárbara, padroeira dos mineiros, figura que une fé, trabalho e risco. O prêmio foi dedicado à memória de Giampiero Pinna, fundador e ex-presidente do Caminho, que entendeu antes de muitos que o futuro desses territórios passava por um turismo lento, consciente e profundo.

Pode ser feito a pé, de bicicleta ou a cavalo. Mas o meio importa menos do que o ritmo. Aqui, não vence quem chega primeiro, mas quem permanece. Quem aceita desacelerar e ouvir uma Sardenha que não se entrega facilmente e por isso mesmo permanece.

Não é apenas a trilha mais bonita da Itália. É uma experiência rara, capaz de mudar a forma como você olha a paisagem. E talvez a si mesmo.

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