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Uma memória que respira: quando as cobras fumantes libertaram Piacenza

Existem laços que atravessam oceanos. Tramas invisíveis que superam o tempo, a distância e as feridas da história, permanecendo vivas na memória de dois povos. É essa ligação profunda entre Itália e Brasil que ganhou nova vida no domingo, 14 de dezembro de 2025, na Galleria Alberoni, Sala degli Arazzi, na via Emilia Parmense 67, em Piacenza, durante o encontro Cobras Fumantes. Os libertadores vindos do Brasil, um tributo emocionante aos jovens que cruzaram o Atlântico para lutar em uma guerra que não lhes pertencia, mas que escolheram enfrentar em nome da liberdade.

Recordar a Força Expedicionária Brasileira é trazer à luz a coragem silenciosa dos quase 25 mil pracinhas que, entre 1944 e 1945, deixaram o calor de sua terra para enfrentar o inverno de uma Europa devastada. Não eram responsáveis por aquele conflito, não carregavam as culpas de um continente dividido, mas assumiram a responsabilidade de lutar. Chegaram a Piacenza pela Porta San Lazzaro, foram recebidos como libertadores e entraram para sempre na memória da cidade.

O tenente-coronel David Vannucci e a pesquisadora Maria Rosa Pezza irão reviver essas histórias, relembrando batalhas, medos, neve, sacrifícios e a extraordinária determinação que transformou aqueles jovens em símbolos de esperança.

O lema “A cobra vai fumar”, imortalizado na imagem da cobra fumando cachimbo, nasceu como resposta irônica à descrença de que o Brasil participaria da guerra: “É mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra”.

A programação segue com a exibição do filme Road 47, dirigido por Vicente Ferraz e interpretado por Sergio Rubini, em apresentação da Associação Cinemaniaci. Uma obra que vai além da guerra e mostra a humanidade, a tensão, a escolha difícil entre sobreviver e permanecer fiel a si mesmo.

Participar desse evento não é apenas um ato cultural. É um gesto de gratidão. É um reconhecimento histórico. É manter vivo o elo entre Brasil e Itália, um elo construído com memória, sacrifício e respeito.

Neste 14 de dezembro, a Sala degli Arazzi não recebeu apenas um público. Recebeu um passado que continua falando. Uma história que pede para ser lembrada. Uma memória que ainda respira.

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