Quando chega o Natal, Nápoles se transforma em um espetáculo de aromas de mel, especiarias e frutas cristalizadas. A confeitaria napolitana é uma das mais antigas e ricas da Itália, herdeira de influências gregas, romanas, árabes e espanholas. Cada doce natalino tem uma história, um simbolismo e um modo de preparo que atravessou séculos. Para quem ama gastronomia italiana, este é o momento perfeito para descobrir esses tesouros que ainda hoje fazem parte da mesa das famílias.
Struffoli
Talvez o doce mais emblemático do Natal napolitano. Pequenas bolinhas de massa frita, crocantes por fora e macias por dentro, mergulhadas em mel quente e depois decoradas com confeitos coloridos. A massa tradicional é feita com farinha, ovos, manteiga ou banha, açúcar, raspas de limão ou laranja, um toque de licor (como anice ou Strega) e uma pitada de sal. Sua origem remonta à antiga Grécia, e chegaram a Nápoles na época da Magna Grécia. O sabor é doce e aromático, com o mel envolvendo cada pedacinho e trazendo um perfume típico das festas. Imperdivel!
Roccocò
Duro por fora e perfumado por dentro, o roccocò nasceu no século XVIII em conventos napolitanos. É um biscoito grande, em forma de anel, feito com amêndoas, cascas de laranja cristalizadas e especiarias como canela, noz-moscada e pimenta. Costuma-se mergulhá-lo no vinho, porque sua textura firme é parte da tradição. O sabor é intenso, quente e natalino. Formidável!
Mostaccioli
Os mostaccioli são biscoitos em forma de losango, cobertos com chocolate e aromatizados com mel e especiarias. Sua receita tem raízes medievais e já era consumida nos mercados natalinos do Reino de Nápoles. A massa é macia, quase um bolo, e a mistura de chocolate com as especiarias cria um sabor profundo e reconfortante. Delicia!
Susamielli
Estes biscoitos em forma de “S” têm origem nos conventos napolitanos do século XVII. Feitos com mel, farinha, amêndoas e gergelim (daí o nome), eram os doces preferidos das freiras que os preparavam como presente para famílias nobres. O sabor é levemente amargo e aromático, com textura firme e muito mel. Must!
Raffaioli
Outra herança conventual napolitana. Os raffaioli são pequenos bolos cobertos com glacê branco ou rosa. Existem versões simples e as chamadas “raffaioli ripieni”, recheadas com geleia ou creme de amêndoas. O sabor é delicado, macio, menos especiado que os demais doces natalinos, ideal para quem prefere sobremesas suaves. Necessarios!
Divino Amore
Criado no mosteiro das freiras “Divino Amore” no século XVIII, este doce é feito com pasta de amêndoas, ovos, mel e frutas cristalizadas, coberto por uma fina camada de glacê colorido. Macio e extremamente aromático, tem um sabor que mistura doçura intensa e notas cítricas. Era considerado um doce “nobre”, reservado para ocasiões especiais. Incrivel!
Pastiera de Natal
Embora hoje seja mais associada à Páscoa, a pastiera já foi consumida também no período natalino. Feita com ricota, trigo cozido, açúcar, água de flor de laranjeira e frutas cristalizadas, representa a união de sabores que simbolizavam prosperidade. O sabor é floral, cremoso e equilibrado, diferente de qualquer outra sobremesa italiana. Top!
Zeppole de Natale
Fritas, leves e irregulares, são bolinhos de massa fermentada que podem ser passados no mel ou polvilhados com açúcar e canela. Sua origem é popular, ligada às casas humildes que preparavam doces simples usando poucos ingredientes. O sabor é quente, macio e acolhedor, perfeito para ser comido ainda quente. Memorias!
A doçaria natalina de Nápoles é um mergulho na história, na fé e no imaginário de um povo que sempre encontrou na cozinha uma forma de celebrar a vida. Para os brasileiros apaixonados pela gastronomia italiana, conhecer esses doces é descobrir um pedaço da alma napolitana. Doce, intensa e inesquecível.
Os doces da tradição de Natal em Nápoles, histórias, cultura e sabores da festa

