Se um dia você decidir incluir Roma no seu roteiro de férias, seja numa viagem romântica, numa aventura em família ou mesmo no caminho de volta às origens italianas, prepare-se para uma experiência curiosa: em Roma, a água é tão protagonista quanto o Coliseu ou o Vaticano.
A cidade é famosa por suas praças decoradas com fontes monumentais, mas há outro detalhe que encanta quem caminha sem pressa pelas ruas: os nasoni (literalmente ‘narigões’). Essas pequenas torneiras públicas de ferro fundido estão espalhadas em milhares de pontos e jorram água fresca durante todo o dia. Criados no século XIX, ganharam esse apelido divertido por causa do bico curvado que lembra um nariz comprido. Hoje são um verdadeiro aliado do viajante: basta carregar uma garrafinha e se hidratar de graça em qualquer bairro.
O interessante é que essas fontes não são apenas uma gentileza urbana, mas também fazem parte do funcionamento inteligente da rede hidráulica. Elas aliviam a pressão nos canos, evitando danos e desperdícios, um detalhe técnico que se mistura naturalmente com o charme cotidiano da cidade.

Mas a tradição de Roma com a água é muito mais antiga. Séculos antes dos nasoni, já existiam os aquedutos romanos, imensas obras de engenharia que transportavam água de regiões montanhosas a dezenas de quilômetros dali. Graças a eles, os romanos tinham acesso a banhos públicos, fontes e até encanamentos residenciais. Mais do que uma questão de conforto, essa distribuição representava uma ideia de bem comum: a água era de todos e fazia parte da identidade coletiva da cidade.
Não é por acaso que a sigla Spqr, vista até hoje em prédios e monumentos, resume essa visão: “Senado e Povo Romano”. Levar água às praças e aos bairros era também uma forma de reforçar que Roma não pertencia a um governante isolado, mas a toda a sua comunidade.
Por isso, quando você estiver na Cidade Eterna, não se limite a jogar uma moeda na Fontana di Trevi. Experimente beber direto de um nasone, sentir a água gelada nas mãos e imaginar que esse gesto simples conecta você a uma história de mais de dois mil anos. Em Roma, até matar a sede é uma viagem no tempo.
