Itália busca enfermeiros no sul do Brasil para enfrentar falta de profissionais

O norte da Itália quer recrutar enfermeiros no Brasil e escolheu a região de Belluno, no Vêneto, para testar um programa de contratação, formação e acolhimento de profissionais estrangeiros. A iniciativa terá duração de três anos e pretende responder à falta de pessoal na rede de saúde, com atenção prioritária ao sul do Brasil, onde existem comunidades historicamente ligadas à imigração italiana.

A experiência será coordenada pela Ulss 1 Dolomiti, autoridade sanitária responsável pela área de Belluno. A proposta foi aprovada pela Junta Regional do Vêneto e prevê a participação de instituições públicas, municípios, universidades e entidades profissionais para organizar o recrutamento e facilitar a chegada dos enfermeiros.

A ideia é evitar que a contratação se limite à busca por profissionais disponíveis no exterior. O programa prevê a avaliação das qualificações, aulas de italiano, acompanhamento por tutores e apoio para encontrar moradia. O objetivo é ajudar os enfermeiros a se adaptarem à vida na região e a ingressarem nos serviços de saúde, especialmente em um território montanhoso onde atrair e manter trabalhadores pode ser mais difícil.

Segundo o assessor regional de Saúde, Gino Gerosa, a escassez de enfermeiros é um problema estrutural que exige medidas organizadas, em vez de iniciativas isoladas. O projeto pretende, portanto, criar um percurso de integração que acompanhe os profissionais desde a seleção até a entrada no sistema de saúde.

O plano prevê duas possibilidades: recrutar enfermeiros que já tenham concluído sua formação ou desenvolver percursos formativos em parceria com universidades estrangeiras. Nesse segundo caso, a Universidade de Pádua e o curso de graduação em Enfermagem de Feltre poderão colaborar na organização da formação.

A participação de instituições locais também será importante para a logística. Além da Ulss 1 Dolomiti e do governo regional, o protocolo envolve a Prefeitura de Belluno, a Prefeitura de Feltre, a província, a universidade e a associação Bellunesi nel Mondo, entre outras entidades. Um grupo regional de coordenação acompanhará o andamento do programa durante os três anos de duração.

Para os candidatos brasileiros, a iniciativa abre uma possível via de acesso ao mercado de trabalho italiano, mas o anúncio não detalha o número de vagas, os salários, o calendário de seleção nem os requisitos para o reconhecimento dos diplomas. Esses pontos deverão ser esclarecidos na implementação do projeto.

A escolha do Brasil meridional tem relação com os vínculos históricos entre a região e as comunidades de origem vêneta. A Argentina também está entre as áreas consideradas prioritárias para o recrutamento.
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