
A região, que reúne as províncias de Pádua, Treviso, Veneza e Rovigo, exportou 19,9 bilhões de euros nos primeiros seis meses do ano, uma alta de 8,2% na comparação anual. O crescimento foi duas vezes superior à média regional do Veneto, de 4,1%, impulsionado em parte pelo setor de construção naval. Mesmo excluindo esse efeito extraordinário, as vendas externas avançaram 1,7%.
A expansão para o Mercosul se destaca em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, barreiras comerciais e mudanças nos fluxos de comércio. Para as empresas italianas, Brasil e Argentina aparecem como destinos promissores não apenas para a venda de produtos, mas também para parcerias industriais, participação em licitações públicas e novas oportunidades de fornecimento.
A avaliação foi reforçada por Silvia Moretto, responsável pelos assuntos internacionais da Confindustria Veneto Est, que retornou recentemente de uma missão empresarial à Argentina e ao Brasil. Segundo ela, a nova geografia da economia mundial exige que as empresas deixem de se concentrar apenas na promoção das exportações e desenvolvam estratégias de presença internacional de longo prazo. Mercosul, Índia e países do Golfo estão entre os mercados considerados prioritários.
A indústria italiana busca diversificar seus destinos comerciais em um momento de resultados bastante diferentes entre os principais parceiros. Nos primeiros seis meses de 2026, as vendas para a Espanha cresceram 7%, enquanto as destinadas à Áustria avançaram 17,1%. Fora da Europa, as exportações para os Estados Unidos também aumentaram, apesar das tarifas comerciais, enquanto o mercado chinês registrou queda de 14,8%.
Entre os setores que sustentam as vendas externas do Veneto Oriental estão os metais e produtos metalúrgicos, com crescimento de 6,4%, os alimentos e bebidas, com alta de 3%, e os artigos de borracha e plástico, que avançaram 4,2%. Já máquinas e equipamentos tiveram retração de 0,6%.
Para a Confindustria Veneto Est, a expansão dos negócios na América do Sul depende agora da capacidade de transformar o interesse comercial em relações duradouras. O acordo entre União Europeia e Mercosul pode facilitar esse processo, mas o desafio será acompanhar especialmente as pequenas e médias empresas na abertura de novos mercados e na construção de parcerias locais.
