Experimental Roma: a nova Dolce Vita chega na via Ludovisi

E se a Dolce Vita não tivesse ficado nos filmes de Fellini? E se ela estivesse prestes a ganhar um novo endereço em Roma, com coquetéis, gastronomia de autor e uma piscina suspensa sobre os telhados da cidade?

É essa a aposta do Experimental Roma, novo hotel que abriu suas portas neste final de semana, 10 de outubro, na Via Ludovisi, 46, a poucos passos da Via Veneto, a avenida que se tornou símbolo internacional do glamour romano nos anos 1950 e 1960.

O cenário escolhido não poderia ser mais sugestivo. Foi naquela Roma de hotéis elegantes, cafés movimentados, estrelas de cinema e fotógrafos à caça de celebridades que Federico Fellini encontrou parte da inspiração para La Dolce Vita, filme de 1960 que ajudou a transformar a cidade em um mito cultural.

Mais de seis décadas depois, o Experimental Roma propõe um novo capítulo dessa história. Em vez de reproduzir o passado, a ideia é reinterpretar seus códigos: a elegância, a vida social, o prazer à mesa e a atmosfera cinematográfica, agora sob uma linguagem contemporânea. 

Antes de receber hóspedes, o edifício da Via Ludovisi tinha outra função: abrigava uma instituição bancária. A estrutura foi inteiramente transformada para dar lugar a um hotel de quatro estrelas com 82 quartos e suítes.

O projeto de interiores leva a assinatura do francês Rodolphe Parente, que trabalhou com contrastes para construir uma identidade visual ligada à história e ao imaginário da cidade. Mármore, terracota, aço, cores marcantes e referências ao design italiano dos anos 1970 aparecem em uma composição que combina memória e contemporaneidade.

A proposta também dialoga com nomes importantes do design italiano, como Gio Ponti, Carlo Scarpa e Luigi Caccia Dominioni. Em vez de transformar o hotel em uma reprodução de época, Parente utiliza essas referências para criar ambientes com personalidade própria, nos quais materiais tradicionais convivem com superfícies polidas, elementos esculturais e detalhes de inspiração retrô.

O Experimental Roma é a segunda propriedade do grupo francês na Itália, depois do Il Palazzo Experimental, em Veneza. A abertura também amplia a presença da marca na capital italiana, em um endereço que une localização central e uma proposta de hospitalidade voltada para além da hospedagem.

Se a arquitetura conta uma história, a gastronomia acrescenta outro capítulo. O restaurante Ludovisi e Cadore será comandado pelo chef Giovanni Passerini, romano que construiu uma trajetória importante na cena gastronômica parisiense. Sua presença cria uma conexão interessante entre duas capitais que há muito compartilham influências culturais e gastronômicas.

A cozinha será acompanhada por um ambiente que valoriza a luz natural e a composição dos interiores. O projeto foi concebido para que o restaurante tenha identidade própria dentro do hotel, com potencial para atrair tanto hóspedes quanto moradores de Roma em busca de uma experiência gastronômica.

A escolha de Passerini reforça essa intenção: trazer um profissional de origem romana, com experiência internacional, para um projeto que procura reinterpretar a identidade da cidade sem se limitar à tradição.

Na Via Veneto, a história da Dolce Vita também se escreveu em torno dos bares e dos encontros que atravessavam a noite. Por isso, não poderia faltar um espaço dedicado à coquetelaria.

O hotel terá o Experimental Cocktail Club, ligado à origem do próprio grupo, que começou sua trajetória no universo dos coquetéis antes de expandir sua atuação para hotéis e restaurantes.

A proposta é valorizar os grandes clássicos da mixologia em um ambiente de inspiração cinematográfica, com mármore, tons profundos, cortinas e iluminação pensada para criar uma atmosfera intimista.

A ideia acompanha uma tendência da hotelaria contemporânea: bares que não funcionam apenas como serviços para hóspedes, mas como endereços com personalidade própria, capazes de atrair o público local e participar da vida noturna da cidade. 

Entre os elementos mais chamativos do novo hotel está o rooftop, com bar e piscina suspensa sobre os telhados de Roma. É lá que a experiência muda de perspectiva. A movimentação das ruas fica abaixo, enquanto o horizonte romano revela sua combinação inconfundível de edifícios, cúpulas e paisagem urbana.

A piscina é um dos destaques arquitetônicos do projeto e traduz visualmente a proposta do Experimental: reunir o imaginário clássico da capital com uma experiência de hospedagem contemporânea.

O terraço também reforça a intenção de fazer do hotel um lugar que vai além da função de oferecer quartos. Gastronomia, coquetelaria, design e espaços de convivência compõem uma experiência integrada, na qual diferentes ambientes têm potencial para se tornar destinos por si mesmos.

A abertura do Experimental Roma também ajuda a ilustrar uma transformação na maneira como a hotelaria de alto padrão se relaciona com os destinos turísticos.

Em vez de concentrar toda a experiência nos quartos, novos projetos procuram integrar restaurantes, bares, espaços de convivência e propostas de design capazes de atrair também quem vive na cidade. O hotel deixa de ser apenas um lugar para dormir e passa a disputar espaço na agenda cultural e gastronômica do destino.

No caso romano, essa estratégia encontra um cenário especialmente simbólico. A Via Veneto continua carregando o imaginário de uma época em que cinema, moda, celebridades e vida noturna ajudaram a projetar a cidade internacionalmente.

O desafio está em transformar esse patrimônio cultural em algo relevante para o presente, sem depender apenas da nostalgia. Afinal, talvez a vida doce não precise de paparazzi, estrelas de cinema ou automóveis diante de hotéis luxuosos para continuar existindo.

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