Itália reúne gigantes empresariais para criar supercomputador de inteligência artificial

Segundo o Corriere della Sera, a iniciativa reúne empresas como Eni, Enel, Leonardo, Saipem, Snam, Terna, Fibercop e Cassa Depositi e Prestiti (CDP), além de outras companhias estratégicas. A coordenação está sendo conduzida pelo governo da primeira-ministra Giorgia Meloni, que pretende constituir um consórcio para apresentar a proposta à Comissão Europeia até 3 de dezembro.
O plano italiano faz parte de uma iniciativa da União Europeia para colocar em operação sete grandes centros de computação para inteligência artificial até o primeiro semestre de 2028. O investimento total previsto para os projetos europeus é de 30 bilhões de euros, dos quais cerca de dois terços deverão vir de empresas privadas.
A disputa por capacidade de processamento e infraestrutura de IA tornou-se um dos principais eixos da competição tecnológica global. Enquanto os Estados Unidos avançam com grandes investimentos privados, como o projeto Stargate, e a China desenvolve sua própria infraestrutura digital, a União Europeia busca fortalecer sua capacidade de processamento e reduzir a dependência de fornecedores externos.
A iniciativa italiana prevê a criação de uma nova empresa, ainda em fase de estruturação, que deverá reunir capital, infraestrutura energética, telecomunicações e conhecimento tecnológico. Entre as companhias consideradas centrais para o consórcio estão Eni, TIM e Leonardo, enquanto outras empresas poderão aderir nas próximas etapas.
O financiamento será dividido entre recursos públicos italianos, verbas europeias e investimentos privados. Na primeira fase, estão previstos 200 milhões de euros do Ministério da Economia italiano, outros 200 milhões da União Europeia e 800 milhões de euros de investidores privados. Na segunda etapa, o plano prevê mais 400 milhões de euros de cada uma das duas fontes públicas e 1,4 bilhão de euros do setor privado. O investimento total poderá superar 5 bilhões de euros, embora os valores ainda dependam da definição do projeto e da composição final do consórcio.
Outro elemento importante é a possível participação da Grécia. Segundo o Corriere della Sera, Atenas poderá utilizar cerca de 25% da capacidade de processamento do consórcio italiano, mas o acordo ainda não foi formalizado.
A proposta também despertou o interesse de grandes empresas americanas, que já teriam procurado o governo italiano para discutir a compra de parte da capacidade futura, tanto em unidades de processamento gráfico (GPUs) quanto em serviços de computação.
Para Roma, o desafio será reunir empresas com competências complementares e garantir investimentos suficientes para transformar o projeto em uma infraestrutura competitiva em escala europeia. Mais do que construir um centro de processamento, a iniciativa pretende consolidar uma aliança industrial capaz de conectar energia, telecomunicações, defesa e tecnologia em um setor considerado estratégico para a economia do futuro.
