Florença prepara dois meses de música, teatro, dança e arte espalhados por diferentes partes da cidade. De 1º de outubro a 30 de novembro, a quinta edição do Autunno Fiorentino reúne 226 eventos, entre espetáculos, concertos, performances, oficinas e workshops, muitos deles gratuitos. A programação foi apresentada pela Prefeitura de Florença e tem financiamento de € 591.705 do Ministério da Cultura italiano.

A proposta é levar a cultura para além dos lugares mais conhecidos da capital toscana. Praças, parques, bibliotecas, escolas, mercados, centros culturais e outros espaços do cotidiano serão transformados em palcos durante os dois meses de programação. As atividades acontecem nos bairros localizados fora da área reconhecida pela Unesco, aproximando os eventos dos moradores e também de quem quiser descobrir uma Florença menos turística.

A edição deste ano também aproveita algumas datas importantes para a história e a cultura italiana. Entre elas estão os 60 anos da grande enchente de Florença, os 80 anos da República Italiana, o centenário do nascimento de Dario Fo, os 100 anos da Radio Rai e os dez anos da Filharmonie.

A memória da enchente de 1966 aparece em diferentes projetos. Um deles é “Santa Catastrofe”, apresentado entre 23 e 27 de novembro, que propõe olhar para a tragédia não apenas como um episódio do passado, mas como ponto de partida para discutir mudanças e criação artística. O projeto combina teatro, música e performance e passa por bibliotecas de diferentes bairros e pelo Teatro Cantiere Florida.

Outro destaque é “Visioni”, do Teatro Puccini, que leva ao Parque dell’Anconella um espetáculo sobre a relação entre o ser humano, a água e a paisagem. A programação também inclui apresentações de nomes como Daniele Timpano, Moni Ovadia, Marta e Diego Dalla Via, Jacopo Fo e Ugo Dighero, além de atividades dedicadas ao centenário de Dario Fo.

A música ocupa uma parte importante da programação. A Orchestra della Toscana retorna com “Musica Diffusa”, que terá nove concertos gratuitos em diferentes pontos da cidade. A ideia é justamente tirar a música clássica dos espaços tradicionais e colocá-la em contato direto com os bairros. O primeiro concerto acontece em 1º de outubro e será dedicado às canções de Ornella Vanoni.

Também haverá espaço para música de câmara, jazz, dança, circo contemporâneo e teatro. Um dos projetos mais curiosos é o Teatri Mobili nelle Periferie di Firenze, que levará 22 eventos a parques, praças, bibliotecas, vilas históricas e outros lugares pouco convencionais, criando apresentações itinerantes e imersivas.

Outro eixo da programação é o chamado teatro civil, com espetáculos e encontros sobre temas como direitos, liberdade, migração, memória, integração social, deficiência e diferenças de gênero. Há ainda atividades voltadas especificamente para crianças, adolescentes, idosos e pessoas em situação de maior vulnerabilidade, ampliando o acesso às atividades culturais.

O festival também pretende fazer com que o público deixe de ser apenas espectador. Em alguns projetos, os moradores participam de oficinas, laboratórios e experiências artísticas realizadas nos próprios bairros. É uma forma de transformar espaços normalmente associados à vida cotidiana em locais de encontro e produção cultural.

A nova edição chega logo depois de uma Estate Fiorentina que registrou 1.385 eventos entre junho e setembro. Com o Autunno Fiorentino, a cidade mantém a programação cultural durante o segundo semestre e prolonga a estratégia de levar espetáculos para diferentes áreas de Florença.

Para quem visita a cidade no outono, a programação oferece uma outra maneira de conhecer Florença: menos concentrada nos monumentos mais famosos e mais próxima da vida dos bairros, com música, teatro e arte ocupando espaços que normalmente não aparecem nos roteiros turísticos tradicionais.
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