
A medida foi anunciada pelo Ministério da Agricultura italiano e faz parte do chamado “Pacote Vinho” da PAC, que prevê intervenções específicas para o setor. O objetivo é associar a promoção dos vinhos à valorização dos lugares onde eles são produzidos, incluindo paisagens, cultura, tradições, hospitalidade e atividades ligadas à produção vitivinícola.
Na prática, o programa permitirá apoiar ações realizadas diretamente nas regiões produtoras, como eventos, encontros, visitas e outras iniciativas de promoção. A proposta é fazer com que o visitante conheça não apenas a garrafa ou a marca, mas também o território, as vinícolas e o patrimônio cultural e gastronômico relacionado à produção de vinho.
O decreto, identificado como DM nº 483420, de 18 de setembro de 2026, estabelece as regras nacionais para a aplicação da medida prevista no artigo 58 do regulamento europeu da PAC. O Ministério da Agricultura informa que o decreto ainda está em processo de registro pelos órgãos de controle.
Os beneficiários não serão os turistas individualmente nem as vinícolas isoladamente. Poderão apresentar projetos os Consórcios de Tutela, organizações de produtores e organizações interprofissionais do setor vitivinícola. São entidades que representam produtores e denominações e que poderão desenvolver ações coletivas de valorização das regiões de produção.
Um dos pontos importantes do programa é justamente essa dimensão territorial. O turismo enológico passa a ser tratado não apenas como uma atividade ligada ao consumo de vinho, mas como uma forma de apresentar ao visitante a identidade de determinadas áreas da Itália. Uma viagem para uma região produtora pode envolver degustações, visitas a propriedades, conhecimento das técnicas de produção, gastronomia, patrimônio histórico e paisagens rurais.
A medida também tem uma dimensão econômica. Segundo o Ministério, fortalecer a reputação dos vinhos italianos significa aumentar a visibilidade das áreas produtoras e criar novas oportunidades de desenvolvimento local. A estratégia procura, assim, aproveitar o interesse internacional pelo vinho italiano para estimular a circulação de visitantes pelas regiões produtoras.
O mecanismo terá um calendário anual para a apresentação dos pedidos. Em condições normais, as solicitações deverão ser apresentadas até 30 de outubro de cada ano, seguindo procedimentos definidos pela Agea, a agência italiana responsável por diversos instrumentos de apoio ao setor agrícola, em coordenação com as regiões. Para o primeiro período de aplicação, correspondente ao ano 2026/2027, o prazo foi excepcionalmente estabelecido para 15 de dezembro de 2026.
A nova medida se insere em uma política mais ampla de valorização do vinho como parte da identidade italiana. Em abril, durante o Vinitaly, o Ministério da Agricultura destacou o papel do vinho dentro da cultura gastronômica do país e sua ligação com os diferentes territórios italianos.
Para quem visita a Itália, a consequência mais visível poderá aparecer justamente fora dos grandes centros turísticos. Em vez de concentrar a experiência em cidades como Roma, Florença ou Veneza, a promoção do turismo enológico busca levar visitantes para vinhedos, pequenas cidades e áreas rurais, onde a produção de vinho está diretamente ligada à história e à economia local.
A iniciativa amplia, assim, o conceito de turismo do vinho na Itália: não apenas beber um vinho italiano, mas conhecer o lugar que está por trás dele.
