Itália fica entre os últimos da Europa no uso de IA entre jovens

O dado faz parte de um levantamento do Observatório sobre a Pobreza Educativa, realizado por Con i Bambini e Openpolis, e chama atenção para uma questão que vai além do simples acesso à tecnologia: o risco de a inteligência artificial aprofundar desigualdades educacionais já existentes na Itália.
O problema aparece também dentro das escolas. Apenas 40,7% dos edifícios escolares estatais italianos possuem uma sala de informática. Nos municípios mais periféricos e isolados, o índice cai para 33,8%. Na Calábria, por exemplo, apenas 27,2% das escolas contam com esse tipo de estrutura.
Há, portanto, duas questões que começam a se cruzar: o acesso à tecnologia e a capacidade de utilizá-la de maneira consciente. Entre os adolescentes italianos que não usam inteligência artificial, 8,6% afirmam que não sabem como fazê-lo. Na União Europeia, a média é de 7,3%.
Ao mesmo tempo, entre os jovens que utilizam IA, a ferramenta já aparece nas atividades escolares. Na Itália, 41% recorrem a esses recursos para estudar. O desafio para o sistema educacional passa, portanto, não apenas por permitir ou limitar seu uso, mas por ensinar como utilizar a tecnologia, verificar informações e reconhecer seus limites.
O levantamento chama atenção para riscos que vão da exposição de dados pessoais à desinformação e aos erros produzidos pelos sistemas. Sem orientação, a ferramenta que poderia ajudar no aprendizado também pode acabar substituindo competências que a escola deveria desenvolver.
O risco é maior entre estudantes que já partem de uma situação de desvantagem. Se alguns aprendem a usar a IA para pesquisar, escrever e desenvolver novas competências, enquanto outros não têm acesso adequado ou não sabem utilizá-la, a diferença pode aumentar.
O relatório “Intelligenza artificiale, una sfida educativa” alerta justamente para essa possibilidade: a IA pode se transformar em um novo multiplicador das desigualdades, criando um novo divario digitale não apenas entre quem tem ou não tecnologia, mas entre quem consegue dominá-la de maneira crítica e quem permanece como usuário passivo.
Nesse cenário, o desafio não é apenas levar mais tecnologia às escolas. É preparar estudantes e professores para entender quando confiar na inteligência artificial, quando questioná-la e quando não utilizá-la.
