O Vale Maira, na região do Piemonte e na província de Cuneo, recebe seu nome do rio Maira, que atravessa e percorre toda a extensão do vale. São nada menos que 14 os municípios localizados dentro desse magnífico território, ainda em grande parte preservado do turismo de massa.
Nos últimos anos, cada vez mais apaixonados por montanhas vêm conhecendo e descobrindo o Vale Maira. O motivo dessa descoberta recente também está ligado àquilo que não se encontra por aqui: grandes estruturas turísticas e empreendimentos que alteram profundamente a paisagem. A natureza do vale permanece preservada e selvagem, um verdadeiro paraíso para quem procura tranquilidade, silêncio e ar puro.
São muitas as possibilidades de trilhas e destinos a serem explorados, enquanto os turistas ainda são relativamente poucos e os animais selvagens continuam numerosos. Marmotas, camurças, cervos, corços e íbex habitam essas montanhas e tornam ainda mais especial a experiência de quem percorre os caminhos do vale.
Para quem gosta de trekking, não faltam opções, desde os percursos mais exigentes até trilhas mais simples, adequadas também para famílias e crianças. Como mencionado anteriormente, o vale abriga numerosos vilarejos antigos, com construções históricas, igrejas e capelas, lugares que merecem ser explorados e conhecidos.
Chegando por Dronero, no lado esquerdo do vale, abre-se o Vallone d’Elva, uma região montanhosa fascinante que ainda conserva um caráter autêntico. O vale está ligado à vizinha Val Varaita através do Colle di Sampeyre e do Vallone di Traversiera, em uma rede de estradas e antigas passagens que unem essas montanhas do Piemonte.
Percorrendo a sinuosa estrada que sobe em direção a Elva, a primeira parada que recomendo é a Igreja de San Peyre, no território de Stroppo. O edifício, que remonta aos séculos XII e XIII, está localizado sobre um esporão rochoso, em uma posição privilegiada de onde é possível admirar uma bela vista do vale.
A igreja guarda em seu interior um de seus tesouros mais preciosos: magníficos afrescos dos séculos XIV e XV, testemunhos da história e da arte que essas montanhas conseguiram preservar ao longo dos séculos.
Para visitá-la, é necessário buscar a chave na fração de Arneodi, localizada a cerca de um quilômetro e meio antes da igreja. Um pequeno detalhe de organização que acaba se tornando parte da própria experiência, porque chegar a San Peyre significa atravessar lentamente esse território e se deixar conduzir por suas estradas, seus silêncios e sua história.
Seguindo pelo percurso, recomendo fazer uma parada em Morinesio, um pequeno vilarejo de montanha onde o tempo parece ainda passar em um ritmo diferente. A partir dali, também é possível fazer uma breve caminhada até o Santuário de Santa Maria di Morinesio, cercado pelo silêncio e pelas paisagens dessas montanhas.
Morinesio está localizado no território do município de Stroppo, a cerca de 1.500 metros de altitude, nas encostas do Monte Nebin. Sua posição, particularmente ensolarada, faz do vilarejo um verdadeiro balcão natural com vista para os Alpes Cócios.
Caminhando por suas pequenas ruas, encontram-se casas construídas em pedra e madeira, testemunhos da antiga arquitetura alpina occitana e provençal. Muitos dos edifícios que caracterizam o vilarejo remontam ao século XVIII e ainda conservam a identidade e o charme de uma comunidade montanhosa profundamente ligada ao seu território.
Morinesio também é um lugar ideal para ficar alguns dias e conhecer essas montanhas com mais tranquilidade. No vilarejo existem apartamentos, casas de temporada e bed & breakfasts, uma boa base para explorar o Vallone d’Elva e os outros vales que cercam essa parte do Piemonte.
Retomando a estrada em direção a Elva, é possível chegar à localidade de Serre, a sede administrativa e o principal centro habitado do município. É ali que se encontram a igreja, a prefeitura, a ampla praça e algumas antigas lojas, elementos que ainda hoje contam a vida e a história dessa pequena comunidade de montanha.
Elva é conhecida principalmente por uma tradição realmente particular: a dos “Lhi Pelassiers”, os coletores de cabelos. Um trabalho antigo e singular que, durante muitos anos, representou uma das principais fontes econômicas da cidade. Antigamente, no início do outono, quando os trabalhos agrícolas terminavam, os homens de Elva deixavam o vilarejo e partiam para longas viagens. Percorriam cidades e vilas em busca de mulheres e jovens dispostas a cortar e vender seus cabelos, recebendo em troca algumas liras ou, em alguns casos, um pedaço de tecido.
Essas longas madeixas eram depois trabalhadas e transformadas em perucas, que os Pelassiers revendiam em diferentes partes da Europa. Seus produtos chegaram às casas de pessoas pertencentes às classes mais importantes da sociedade, entre lordes, damas e atrizes, contribuindo para levar a Elva um período de relativa prosperidade econômica.
A memória desse antigo trabalho ainda hoje é preservada em Serre, no “Museo di Pels”. No interior do museu estão guardados os utensílios e instrumentos utilizados no trabalho com os cabelos, além de cartas com encomendas, antigas perucas e mechas de cabelo.
Uma visita que permite descobrir uma das histórias mais curiosas e fascinantes de Elva, uma pequena cidade de montanha que, graças ao trabalho de seus Pelassiers, conseguiu, em determinado período de sua história, criar relações comerciais com grande parte da Europa.
Talvez seja justamente essa a particularidade do Vale Maira: ele não tenta conquistar o visitante com grandes atrações ou com o movimento do turismo. Ele se deixa descobrir pouco a pouco.
É preciso percorrer suas estradas, entrar nos pequenos vilarejos, parar diante de uma igreja isolada ou seguir uma trilha sem saber o que será encontrado depois da próxima curva. É assim que o vale revela seu verdadeiro caráter, por meio de uma natureza que continua sendo protagonista e de comunidades que aprenderam a viver em equilíbrio com essas montanhas.
O Vale Maira não é um lugar para ser consumido em um único fim de semana. É um vale que convida a desacelerar, observar e, acima de tudo, voltar. Porque, quando chega o momento de partir, fica a sensação de que ainda há muito para conhecer e o desejo de percorrer mais uma vez aquelas estradas que sobem em direção às montanhas.

