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Ue-Mercosur: empresas italianas chegam ao Brasil e Argentina em busca de negócios

A iniciativa acontece poucos meses após a assinatura do acordo entre União Europeia e Mercosul e representa a primeira missão empresarial organizada por um país europeu na região desde a aprovação da negociação. Segundo o portal Formiche.net, a viagem tem um objetivo que vai além de aumentar as exportações: as empresas italianas querem encontrar parceiros locais, participar de projetos, realizar investimentos e construir novas cadeias de produção.
O momento também tem relação com a necessidade de diversificação enfrentada pela indústria italiana. A crescente concorrência chinesa no mercado europeu vem pressionando diversos setores da economia italiana, enquanto o Mercosul aparece como uma região com espaço para novos negócios e uma base de consumidores de cerca de 270 milhões de pessoas.
Criado em 1991, o Mercosul reúne atualmente Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A Venezuela entrou no bloco em 2012, mas sua participação está suspensa desde 2017. Considerado uma das principais áreas econômicas do mundo, o mercado sul-americano passou a ganhar ainda mais importância para empresas europeias com a perspectiva de implementação do acordo comercial com a União Europeia.
A delegação italiana é liderada pelo presidente da Confindustria, Emanuele Orsini, e reúne representantes de diferentes áreas da indústria e do sistema econômico italiano. Também participam da missão os ministros Antonio Tajani, das Relações Exteriores, e Giuseppe Valditara, da Educação e do Mérito, além de dirigentes da ICE, Sace, Simest, Abi e Cdp.
A agenda prevê encontros empresariais e institucionais nas três cidades. A ideia é aproveitar a missão para transformar as oportunidades abertas pelo acordo UE-Mercosul em relações comerciais mais estruturadas, com atenção especial a investimentos, inovação, infraestrutura, pesquisa, formação profissional e cooperação industrial.
Para a Itália, portanto, o interesse não está apenas em vender mais produtos para a América do Sul. A estratégia é estabelecer uma presença mais permanente, combinando tecnologia, conhecimento e capacidade produtiva italiana com empresas e projetos locais.
Os números ajudam a explicar o interesse. Em 2025, as exportações italianas para o Mercosul chegaram a 7,5 bilhões de euros. Em maio de 2026, primeiro mês de aplicação do acordo, as exportações italianas para o bloco alcançaram 745 milhões de euros, 21,1% a mais que no mesmo mês do ano anterior.
A expectativa é que, quando o acordo estiver plenamente operacional, o potencial das exportações italianas para o Mercosul possa chegar a 14 bilhões de euros. Dentro do bloco, Brasil e Argentina concentram mais de 90% das relações comerciais italianas com o Mercosul. Em 2025, a Itália exportou 5,8 bilhões de euros para o Brasil e outros 1,2 bilhão de euros para a Argentina.
A missão desta semana, portanto, funciona também como um primeiro teste concreto para essa nova fase. Depois de anos de negociações entre Europa e Mercosul, as empresas começam agora a olhar para o acordo não apenas como um instrumento comercial, mas como uma oportunidade para encontrar novos mercados, parceiros e espaços para investimentos na América do Sul.
