Contas de energia pesam no turismo italiano e já somam € 870 milhões

Do total, cerca de 700 milhões de euros correspondem à eletricidade, enquanto outros 170 milhões estão relacionados ao gás. O impacto aparece com particular força justamente nos setores que vivem do turismo durante os meses de verão. Restaurantes e hotéis chegaram a registrar aumentos próximos de 50% nas contas de luz, enquanto algumas empresas tiveram reajustes ainda maiores.
Parte da explicação está nas temperaturas excepcionalmente elevadas registradas durante o período. Mais calor significa mais uso de aparelhos de ar-condicionado, sistemas de refrigeração e equipamentos necessários para manter alimentos e bebidas em condições adequadas. Ao mesmo tempo, o preço da eletricidade no mercado atacadista italiano também subiu. Entre junho e agosto, o PUN, referência do mercado elétrico italiano, aumentou mais de 30% em comparação com o mesmo período de 2025.
Para hotéis, bares e restaurantes, existe ainda um problema adicional: os horários de maior movimento coincidem com momentos em que o custo da energia pode ser mais elevado. É justamente à noite que muitos estabelecimentos concentram boa parte do atendimento, da iluminação e da utilização de equipamentos. Os números ajudam a dimensionar o impacto.
Um hotel médio com 45 quartos, por exemplo, gastou aproximadamente 12.250 euros em eletricidade nos três meses de verão, contra 8.250 euros no mesmo período de 2025. São 4 mil euros a mais, ou uma alta de 48,5%. Para um restaurante, a despesa passou de cerca de 2.100 para 3.100 euros. O aumento foi de 1.000 euros, equivalente a 47,6%. Nos bares, a conta subiu de aproximadamente 1.250 para 1.800 euros, uma diferença de 550 euros, ou 44%. O comércio também sentiu a pressão: os estabelecimentos de alimentos tiveram aumento de 41,3%, enquanto as lojas de outros segmentos registraram alta de 40,9%.
A eletricidade, porém, não é a única preocupação. O gás também ficou mais caro e, segundo a Confesercenti, seu preço aumentou mais de 30% durante os meses de verão em relação a 2025. Mesmo considerando apenas o efeito das tarifas e supondo um consumo praticamente estável, o impacto adicional para as empresas é estimado em 170 milhões de euros. A preocupação agora se desloca para os meses frios, quando o consumo de gás aumenta. O nível dos estoques e as tensões no mercado internacional podem provocar novas altas.
Para o presidente da Confesercenti, Nico Gronchi, o problema já ultrapassa a questão de uma conta mais cara. “Estamos entrando em uma nova era da energia, na qual seu custo terá um peso cada vez maior sobre a competitividade das empresas e o poder de compra das famílias”, afirmou. Gronchi alerta ainda que o aumento das despesas não pode ser analisado isoladamente. “Para muitas atividades do comércio e do turismo, a energia não é uma despesa que possa ser reduzida, mas uma condição essencial para trabalhar e garantir a continuidade e a qualidade do serviço”.
A entidade também vê uma pressão crescente sobre as margens das empresas. “O aumento desses custos está comprimindo margens que já são reduzidas e inevitavelmente corre o risco de ser transferido para os preços finais.”
Para Gronchi, o problema exige uma resposta também no campo tributário. “Também a tributação deverá levar isso em conta: não podemos continuar colocando sobre a energia uma carga fiscal que corre o risco de ampliar os aumentos e transferi-los para toda a economia.”
E o alerta final diz respeito à inflação. “Caso contrário, depois de pressionar as contas de energia e os combustíveis, o aumento dos custos energéticos acabará também alimentando a inflação”. E existe ainda um possível efeito em cadeia: com margens já pressionadas, parte desse aumento pode acabar incorporada aos preços de produtos e serviços.
A energia mais cara, nesse cenário, deixa de ser apenas um problema das empresas e passa a pesar também sobre turistas e consumidores italianos. Para a Confesercenti, a combinação entre energia, combustíveis e inflação exige uma resposta antes que o custo de manter a economia funcionando se transforme em mais um fator de pressão sobre os preços.
