Imagine um vilarejo suspenso nas colinas da Basilicata, no sul da Itália, onde menos de 500 pessoas vivem cercadas por casas de pedra e paisagens cinematográficas. Estamos falando de Guardia Perticara, que já serviu de pano de fundo para clássicos do cinema como Cristo Parou em Éboli e Basilicata Coast to Coast, mas é nas entranhas de seus fornos históricos que mora o verdadeiro segredo da região: a Strazzatella.

Esqueça a tradicional pizza napolitana de bordas altas ou a clássica opção romana vendida em fatias. A Strazzatella é uma relíquia da culinária camponesa, nascida do costume do reaproveitamento nos antigos fornos comunitários da vila, quando as mulheres se reuniam para assar o pão da semana, nada era desperdiçado.

Elas esticavam aquele restante de massa sobre uma assadeira, acrescentavam os ingredientes disponíveis na despensa e devolviam a massa ao forno por mais alguns minutos. O resultado era uma pizza simples, dourada, perfumada pelo orégano e marcada pelo sabor intenso do queijo pecorino. Assim nasceu a strazzatella, uma receita que atravessou gerações praticamente sem mudar.

Apesar do nome parecido, ela não tem relação com o famoso queijo stracciatella nem com a strazzata, outro pão típico da Basilicata, conhecido pelo formato de rosca e pelos recheios.

Todos os anos, em 21 de agosto, Guardia Perticara vive seu momento mais esperado, a Sagra della Strazzatella, organizada pela Pro Loco Guardiese há mais de vinte anos, transforma as ruas medievais em uma grande cozinha ao ar livre.

O aroma de massa recém-assada invade as vielas enquanto moradores e visitantes caminham entre barracas que oferecem tanto a versão clássica quanto interpretações que preservam os ingredientes da região. Entre as combinações mais procuradas estão linguiça artesanal, pimentões com ovos, verduras refogadas, anchovas com orégano e até versões com pesto.

Mas talvez a cena mais bonita do festival aconteça longe das mesas, oficinas gastronômicas ensinam as crianças da vila a abrir a massa com as próprias mãos, repetindo exatamente o gesto que suas avós e bisavós faziam nos antigos fornos comunitários.

É uma tradição que continua viva não porque virou moda, mas porque nunca deixou de fazer parte da rotina local.

Como preparar a verdadeira Strazzatella em casa

Ingredientes para a massa:

  • 500 g de farinha de trigo duro (ou farinha de trigo tradicional)
  • 350 ml de água morna
  • 7 g de fermento biológico seco
  • 10 g de sal
  • 1 colher de sopa de azeite de oliva extravirgem

Ingredientes para a cobertura clássica:

  • 400 g de tomate pelado picado ou molho de tomate rústico
  • 100 g de queijo pecorino ralado
  • Orégano seco a gosto
  • Azeite de oliva extravirgem a gosto
  • Uma pitada de sal

Modo de preparo:

  1. Massa: Em uma tigela, misture o fermento com a água morna. Adicione a farinha aos poucos, sovando bem. Acrescente o sal e o azeite, continue sovando até a massa ficar lisa e uniforme.
  2. Fermentação: Cubra a tigela com um pano e deixe a massa descansar por cerca de 2 horas, até dobrar de tamanho.
  3. Montagem: Unte uma assadeira com azeite de oliva. Espalhe a massa usando as pontas dos dedos para criar pequenas marcas na superfície.
  4. Cobertura: Distribua o tomate por toda a massa, Tempere com o sal, o orégano e regue com um fio de azeite.
  5. Forno: Asse em forno pré-aquecido na temperatura máxima (230°C a 250°C) por cerca de 15 a 20 minutos, até que as bordas fiquem bem douradas.
  6. Finalização: Retire do forno, cubra imediatamente com o queijo pecorino ralado e sirva em fatias.

Enquanto milhões de turistas enfrentam filas para provar as pizzas mais famosas do país, Guardia Perticara continua preparando uma receita que nasceu da necessidade, atravessou séculos e resistiu ao tempo sem perder sua essência.

Talvez seja justamente essa simplicidade que torne a strazzatella tão especial, ela não foi criada para conquistar o mundo, mas sim para aproveitar um pedaço de massa que sobrava do pão e acabou se transformando em um dos segredos mais saborosos escondidos entre as montanhas da Basilicata.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *