Histórias de Famílias Italianas no Brasil: Do Vêneto ao Brasil, a história da família Crescenzio e de Arturo Pietri e Emma Crescenzio – Parte 2

Bem-vindos de volta, queridos leitores! Já se passou uma semana, mas nós, do Jornal Italia, continuamos sempre pensando em vocês e nas histórias que nos permitem redescobrir nossas raízes.

E aqui estamos novamente com a segunda parte da nossa história. Antes de continuar, vamos dar um pequeno passo atrás para lembrar onde paramos: acompanhamos a viagem da família Crescenzio do Vêneto ao Brasil, a história de Emma e Arturo e aquela viagem a bordo do navio a vapor Garibaldi, que mudaria para sempre suas vidas.

Agora, porém, chegou o momento de voltar ainda mais no tempo, em busca das origens mais distantes da família, entre os Colli Euganei, os antigos registros e as gerações que viveram no Vêneto muito antes da partida para o Brasil.

Boa leitura e boa viagem pela nossa história!

As origens da família Crescenzio levam principalmente a Valnogaredo di Cinto Euganeo, no coração dos Colli Euganei, no Vêneto.

Foi nessa região que, durante gerações, viveram os antepassados da família. Alguns nasceram ou trabalharam nos municípios vizinhos, entre Lozzo Atestino, Este, Ospedaletto Euganeo, Vò, Monselice e outros centros da região.

Os registros paroquiais revelam a imagem de uma realidade predominantemente rural, formada por agricultores, vaqueiros e trabalhadores do campo, pessoas que levavam uma vida muito diferente daquela que seus descendentes conheceriam, décadas mais tarde, no Brasil. Allan conseguiu reconstruir uma parte importante dessa genealogia.

Seu antepassado Antonio Natale Crescenzio, nascido em 1871, era filho de Giovanni Crescenzio, nascido em 1842 em Lozzo Atestino, e de Firma Caffeo, nascida aproximadamente no mesmo período.

Giovanni Crescenzio era, por sua vez, filho de Antonio Crescenzio, nascido em 1807, e Anna Gallo, nascida em 1808. E é justamente através de Anna Gallo que a pesquisa consegue avançar ainda mais no tempo.

Anna era filha de Agostino Gallo, conhecido como Scolpin, e Caterina Beggiato. Agostino Gallo, nascido em 1773 em Lozzo Atestino, era filho de Valentino Gallo, também conhecido como Scolpin, nascido em 1735, e de Maria Bertolle, nascida por volta de 1749.

Valentino Gallo era filho de Francesco Gallo, conhecido como Scolpin, nascido em 1708 e originário de Cortella, uma fração de Vò, e de Antonia Mutta, nascida em 1709. Antonia Mutta era filha de Francesco Mutta, nascido em 1674, e Elisabetta Ongaro, nascida por volta de 1679.

E é justamente Francesco Mutta que representa, para Allan, um dos pontos mais distantes e melhor documentados de toda a pesquisa.

Francesco Mutta nasceu em 6 de maio de 1674, em Valnogaredo di Cinto Euganeo, e foi batizado em 13 de maio do mesmo ano. Seus pais se chamavam Zuane Mutta e Antonia. São mais de três séculos de história familiar.

De 1674 até 1922, quando Antonio Crescenzio, Maria Luigia Cappello, Emma e os outros membros da família embarcaram novamente em um navio com destino ao Brasil, é possível acompanhar, através dos documentos, uma longa linha genealógica que atravessa gerações e territórios.

É justamente esse um dos aspectos mais fascinantes da pesquisa de Allan: a viagem não se limita a reconstruir quem partiu para o Brasil, mas procura compreender de onde vieram essas pessoas e como era o mundo em que viveram antes da emigração.

Para conseguir isso, Allan utilizou numerosas fontes e, ao longo do caminho, encontrou muitas pessoas dispostas a ajudá-lo.

Entre elas estão os familiares, que lhe contaram histórias e preservaram lembranças; sua amiga Elena, fundamental para a pesquisa e para a leitura dos documentos; os amigos de Cinto Euganeo; o Portal Antenati, onde encontrou os registros relativos à família Gallo; os usuários do site Tuttogenealogia.it e do grupo do Facebook Amici della Genealogia; o Museu da Imigração de São Paulo, por meio do qual pôde consultar as listas de desembarque de 1898 e 1922, encontrando os nomes de seus bisavós e trisavós; os párocos que responderam às suas solicitações, fornecendo informações e documentos; o FamilySearch e os descendentes de Isidoro Crescenzio, irmão de seu trisavô Antonio.

Por trás de uma pesquisa genealógica tão longa não existem apenas arquivos e documentos. Existem pessoas.

E Allan fez questão de agradecer justamente a todos aqueles que, ao longo desses sete anos, permitiram que ele acrescentasse mais uma peça à história de sua família. Graças a essa pesquisa, ele conseguiu inclusive localizar os descendentes vivos dos irmãos de seu trisavô Antonio Natale Crescenzio, quase 95 anos depois de sua partida para o Brasil.

É um resultado que dá à genealogia um significado especial: não apenas olhar para trás, mas também reencontrar pessoas no presente. A pesquisa, naturalmente, ainda não terminou.

«Ainda há muito caminho a percorrer, principalmente no que diz respeito ao outro lado da família», conta Allan. Mas sete anos de pesquisas já lhe devolveram algo que vai muito além de uma simples árvore genealógica.

Permitiram que ele conhecesse pessoas, reconstruísse vínculos, atravessasse séculos de história e retornasse, de forma simbólica, aos lugares de onde partiram seus antepassados.

Dos Colli Euganei a Santos, de São Simão a São Paulo, do navio a vapor Minas ao Garibaldi, a história dos Crescenzio e de Arturo Pietri conta uma parte dessa grande trajetória que uniu a Itália e o Brasil por meio da emigração. Uma história feita de partidas e retornos, de famílias que atravessam o oceano, de identidades que mudam nos documentos, mas permanecem vivas na memória. E hoje, muitas décadas depois daquela viagem de 1921, Allan continua reconstruindo os rastros deixados por aquelas pessoas. Não para parar o tempo, mas para trazer à luz aquilo que o tempo havia escondido.

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