Na Itália, a bocha tem raízes muito antigas. Pense que já em um baixo-relevo da época romana, conservado nos Museus Vaticanos, são representados jovens romanos com os boccini, as pequenas bolas, nas mãos, enquanto jogavam.


Esse jogo consiste em lançar o pallino, ou boccino, uma pequena bola de diâmetro menor e, usando esferas de maior diâmetro e peso, tentar alcançá-lo e chegar o mais perto possível, com a possibilidade de “sbocciare”, ou seja, afastar as bolas do adversário por meio do impacto.


Durante a Idade Média, a popularidade desse jogo simples, mas divertido e envolvente, cresceu rapidamente. Eram frequentes as brigas e as apostas, a ponto de as autoridades precisarem intervir e, em alguns casos, proibir a prática por motivos de segurança e de ordem pública. Foi o caso de Veneza, que em 1576 emitiu um édito do doge contra “o grande perigo das balle”, ou seja, das bolas.


A Itália, por meio de sua história e de sua cultura, tornou-se uma referência mundial nesse jogo. Existem campeonatos profissionais e também competições mundiais.

Em 1919, nasceu a União Italiana de Bocha, enquanto em 1922 foi criada a Federazione Italiana Bocce. A partir daí, ao longo do tempo, desenvolveram-se federações, clubes, campos de treinamento e pequenas estruturas onde é possível acompanhar as diversas competições e partidas.


A Federazione Italiana Bocce e as seleções italianas construíram, ao longo das décadas, uma tradição internacional de grande sucesso, com numerosos títulos mundiais, europeus e conquistas nas diferentes modalidades da disciplina. A Itália está, de fato, entre as nações mais vitoriosas no cenário internacional da bocha.


Também na bocha surgiram verdadeiras lendas. O italiano Umberto Granaglia, de Turim, conquistou 13 títulos mundiais ao longo de sua carreira esportiva. Na França, recebeu o apelido de “Le Roi”, o Rei, enquanto no mundo da bocha foi reconhecido como um dos maiores jogadores de todos os tempos, chegando a ser celebrado como o jogador do século.


Mas, além das competições profissionais e esportivas, a bocha entrou para a cultura italiana, principalmente durante o verão.
Além de serem um ponto de encontro para jovens e, principalmente, idosos e aposentados, nos diversos bocciofili, estruturas destinadas e equipadas para a prática da bocha, é sobretudo nas praias italianas que você verá crianças e adultos jogando na areia esse belo esporte.


Existem diferentes tipos de bolas: de plástico, para as crianças, coloridas e leves, ou com cores menos chamativas, mais pesadas e feitas de outros materiais, como metal ou materiais sintéticos.


É um jogo fácil de entender e, justamente por isso, capaz de chamar imediatamente a atenção das crianças.

Você lança o pallino, tem à disposição de 3 a 5 bolas, dependendo da modalidade de jogo, e precisa tentar chegar o mais perto possível dele. Caso o adversário já esteja muito próximo do pallino, ou até mesmo uma de suas bolas já tenha tocado nele, existe a possibilidade de tentar usar a própria bola para afastar a bola do adversário.


Pense que até mesmo o Papa João Paulo II teria solicitado a construção de uma cancha de bocha em sua residência de verão em Castel Gandolfo.


A bocha entrou de tal maneira na cultura italiana, sendo tradicionalmente vista como um esporte especialmente associado às pessoas mais velhas e aos aposentados, que, quando queremos brincar com um amigo, talvez porque esteja entediado ou não goste de esportes mais radicais e cansativos, na Itália é comum dizer: “Vai jogar bocha”.


Muitos bagni italianos, os tradicionais beach clubs, construíram pequenas canchas na areia justamente para os clientes que frequentam o local. Na Itália, faz parte da cultura e dos costumes passar todos os verões no mesmo bagno, criando amizades e grupos de jogadores, fazendo com que seja quase indispensável construir pequenas pistas para a prática do jogo.


E é justamente aí que a bocha se transforma em algo mais do que um simples esporte. Ela se torna um ritual do verão italiano: uma partida na areia, o grupo de amigos, as discussões sobre qual bola está mais próxima do pallino e, naturalmente, aquela pequena competição que pode transformar um simples dia na praia em um desafio para ser lembrado.


Porque, na Itália, a bocha não é apenas uma questão de esporte. É também convivência, tradição e tempo passado juntos. E basta uma praia, algumas bolas e um pallino para transformar um dia de verão em um pequeno pedaço da cultura italiana.

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