Capodimonte aposta na fotografia para contar a história da periferia de Nápoles

Segundo informações divulgadas pelo Museu e Real Bosco di Capodimonte a fotógrafa Raffaela Mariniello, um dos principais nomes da fotografia contemporânea italiana, foi escolhida para produzir uma nova série de imagens que passará a integrar a coleção permanente da instituição.
O projeto concentra seu olhar nas áreas que fazem fronteira com Capodimonte, como Miano, Secondigliano, Scampia, Ponti Rossi e o histórico Rione Sanità. São bairros conhecidos por desafios sociais, mas também por uma intensa vida cultural e por desempenharem um papel importante na identidade de Nápoles.
A proposta vai além da produção artística. Até dezembro de 2026, a iniciativa promoverá oficinas de fotografia, caminhadas urbanas e atividades abertas à comunidade, envolvendo moradores e jovens em um processo coletivo de descoberta do território. O objetivo é transformar a fotografia em uma ferramenta de valorização da memória local e de aproximação entre o museu e a população que vive ao seu redor.
A escolha desses lugares também dialoga com a própria origem de Capodimonte. Antes da construção do palácio real, no século XVIII, a região era marcada por grandes pedreiras de tufo, pedra vulcânica amplamente utilizada na arquitetura napolitana. Foi justamente desse material que nasceram muitos dos edifícios históricos que hoje fazem parte do patrimônio da cidade.
Ao registrar essas paisagens e seus moradores, o projeto pretende criar uma ponte entre passado e presente, mostrando como um território frequentemente associado apenas às dificuldades sociais também guarda histórias de trabalho, transformação e identidade.
A iniciativa reforça ainda a aposta do Museu de Capodimonte na fotografia contemporânea. Nos últimos anos, a instituição ampliou significativamente seu acervo dedicado à linguagem fotográfica, reunindo obras de grandes autores italianos e internacionais, entre eles Mimmo Jodice, considerado um dos mestres da fotografia italiana, além de Fabio Donato, Candida Höfer, Olivo Barbieri, Craigie Horsfield e Timothy Greenfield Sanders.
Para quem visita Nápoles, Capodimonte já é parada obrigatória por abrigar obras-primas de artistas como Caravaggio, Ticiano e Rafael. Agora, o museu quer contar também outra história: a da cidade que existe além dos cartões-postais, feita de bairros populares, paisagens esquecidas e pessoas que continuam dando vida a uma das metrópoles mais fascinantes da Itália.
