O Pix faz dos brasileiros os maiores pagadores digitais, enquanto os italianos preferem dinheiro vivo

O Brasil já vive uma realidade que muitos países europeus ainda tentam alcançar. Graças ao Pix, o dinheiro em espécie respondeu por apenas 12% do valor das compras realizadas em lojas físicas em 2025, colocando o país no mesmo patamar de mercados altamente digitalizados, como Estados Unidos e Reino Unido. Os dados são da 11ª edição do Global Payments Report.

O contraste com a Itália chama a atenção. Apesar do crescimento dos pagamentos eletrônicos nos últimos anos, o dinheiro vivo ainda representa cerca de 24% do valor das transações presenciais no país, o dobro da participação registrada no Brasil, segundo dados do Banco da Itália.

A diferença não é apenas tecnológica, mas também cultural. Enquanto o Pix transformou rapidamente os hábitos de consumo dos brasileiros, permitindo transferências instantâneas e pagamentos em poucos segundos, muitos italianos continuam mantendo uma relação de confiança com as cédulas e moedas, especialmente nas pequenas compras, no comércio de bairro e entre a população mais idosa.

Na América Latina, o avanço brasileiro também impressiona. Em média, o dinheiro em espécie ainda responde por 23% do valor das compras presenciais, quase o dobro da participação observada no Brasil.

O estudo aponta que o Pix foi o principal responsável por essa mudança. Em 2025, os pagamentos diretos de conta para conta (A2A) representaram 42% do valor das compras no comércio eletrônico e 34% das transações nos pontos de venda brasileiros, consolidando o país como referência mundial nessa modalidade de pagamento.

Se durante décadas a Europa foi vista como exemplo em inovação financeira, hoje é o Brasil que começa a servir de modelo. E, ao menos quando o assunto é abandonar o dinheiro vivo, a Itália ainda parece caminhar em um ritmo bem mais lento.
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