Itália divulga estudo sobre desempenho dos alunos e acende alerta nas escolas básicas

Os resultados de 2026 mostram um cenário de contrastes. Segundo o relatório divulgado pelo Invalsi, o desempenho dos estudantes do ensino médio apresentou uma leve recuperação em relação ao ano passado, mas o país ainda está longe dos níveis registrados antes da pandemia de Covid-19. Ao mesmo tempo, surgiu um novo motivo de preocupação: o rendimento das crianças do ensino fundamental, historicamente um dos pontos fortes da escola italiana, começou a cair.
O diretor do Invalsi, Roberto Ricci, resumiu a situação afirmando que é como se o sistema educacional tivesse encontrado um novo equilíbrio, porém em um patamar inferior ao que existia antes da pandemia. Segundo ele, o mesmo fenômeno também pode ser observado em outros países, embora ainda não exista uma explicação definitiva.
Os sinais mais positivos aparecem no último ano do ensino médio. Depois do forte recuo registrado em 2025, houve recuperação tanto em italiano quanto em matemática, mas apenas pouco mais da metade dos estudantes alcança hoje um nível considerado adequado. Antes da pandemia, esse percentual era significativamente maior.
Já nas séries iniciais do ensino fundamental, o quadro preocupa especialistas. Em italiano, os resultados permanecem relativamente estáveis, mas em matemática a queda é mais evidente. Os pesquisadores acreditam que diversos fatores possam estar influenciando esse desempenho, entre eles as mudanças demográficas, sociais e culturais da população estudantil e os efeitos prolongados do período de ensino remoto.
Outro desafio continua sendo o chamado desnível regional, uma característica histórica da educação italiana. Tradicionalmente, as regiões do Norte apresentam melhores indicadores do que o Sul e as ilhas. Neste ano, porém, houve uma leve melhora no sul do país, impulsionada por programas específicos de apoio às escolas mais vulneráveis. Ainda assim, as diferenças permanecem significativas em diversas áreas do conhecimento.
Se há um ponto que chama atenção de forma positiva é o ensino de inglês. A nova geração de estudantes italianos demonstra níveis cada vez mais elevados de proficiência. No fim do ensino médio, 63% dos alunos atingem o nível B2 de leitura, enquanto quase metade alcança esse mesmo patamar na compreensão oral. No ensino fundamental e no ensino médio inicial, os índices também mostram avanços consistentes.
As competências digitais também aparecem entre os destaques. Cerca de 80% dos estudantes do segundo ano do ensino médio alcançam pelo menos um nível intermediário em habilidades como uso de informações, produção de conteúdo digital, comunicação online e segurança na internet. No último ano da escola, aproximadamente dois em cada três alunos já apresentam competências consideradas avançadas.
Outro indicador visto com otimismo é a redução do abandono escolar. Segundo as estimativas apresentadas pelo Invalsi, a taxa deverá cair para 7,3% em 2026, após registrar 8,2% no ano anterior. O ministro da Educação, Giuseppe Valditara, afirmou que cerca de 520 mil jovens foram recuperados pelo sistema de ensino desde 2022.
Os resultados mostram que a escola italiana continua enfrentando desafios importantes para recuperar plenamente as perdas provocadas pela pandemia. Ao mesmo tempo, indicam avanços em áreas como o ensino de inglês, a inclusão digital e a redução da evasão escolar, temas que devem permanecer no centro do debate educacional do país nos próximos anos.
