Roma é uma cidade que muda de rosto a cada passo. Basta caminhar alguns metros, mudar o ângulo do olhar, e aquilo que parecia distante de repente se aproxima, criando imagens capazes de transformar a realidade em poesia.

É o que acontece nas proximidades do Castelo de Santo Ângelo, entre o Largo Giovanni XXIII, a Piazza Pia e o início da Via della Conciliazione. Ali, em meio ao jardim aos pés da antiga Mole Adriana, encontra-se o monumento dedicado a Santa Catarina de Siena.

A imponente escultura em mármore, criada pelo artista Francesco Messina e inaugurada em 1962, retrata a santa envolta em seu hábito, inclinada para a frente, como se caminhasse em direção à Basílica de São Pedro. A obra transmite intensidade e simboliza a profunda ligação de Santa Catarina com Roma e com a Igreja.

Mas a verdadeira surpresa aparece apenas quando o visitante se afasta da estátua e alcança o ponto exato, nas proximidades da Piazza della Città Leonina.

Dessa posição, ajustando cuidadosamente o enquadramento, o rosto de Santa Catarina parece aproximar-se da majestosa cúpula da Basílica de São Pedro. As distâncias desaparecem, os planos da cidade se sobrepõem e os lábios da santa parecem tocar delicadamente a cúpula em um beijo silencioso.

É o chamado “beijo sagrado”, um fascinante efeito óptico criado pelo perfeito alinhamento entre a escultura e a cúpula do Vaticano. Não se trata de uma obra concebida para produzir essa ilusão, mas de um encontro extraordinário entre escultura, arquitetura e perspectiva, favorecido pela configuração urbana desse trecho de Roma.

Para registrá-lo em uma fotografia é preciso encontrar o ângulo exato: poucos centímetros fazem toda a diferença. Um pequeno movimento aproxima visualmente a cúpula do rosto da santa; outro passo desfaz o encanto e devolve a distância entre os dois monumentos.

O resultado é uma das imagens mais poéticas da Cidade Eterna: Santa Catarina, que tanto trabalhou pelo retorno do papado de Avignon para Roma, parece prestar homenagem à Basílica de São Pedro com um gesto de devoção e ternura.

Ao redor, a cidade continua viva. Peregrinos caminham em direção ao Vaticano, turistas visitam o Castelo de Santo Ângelo, os carros percorrem as margens do rio Tibre e a vida segue seu ritmo. Mas, daquele ponto preciso, Roma parece parar por um instante.

É um dos seus segredos mais delicados: um beijo que existe apenas para aqueles que encontram a perspectiva perfeita.

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