Fiumicino: novo alerta para risco de caos com novo controle biométrico na fronteira

O alerta foi feito pelo diretor-presidente da Aeroporti di Roma, Marco Troncone, em entrevista ao Financial Times. Segundo ele, a entrada em operação do Entry/Exit System (EES), novo sistema digital de controle de passageiros provenientes de países fora do Espaço Schengen, pode gerar congestionamentos difíceis de administrar nos meses de verão europeu.
A preocupação não é pequena. Roma espera receber cerca de 38 milhões de visitantes entre junho e agosto, impulsionada também pelo Jubileu de 2025, que continua atraindo milhões de peregrinos e turistas internacionais em 2026.
O aeroporto de Fiumicino, recentemente eleito pela oitava vez desde 2018 o melhor da Europa em sua categoria, vive um momento de forte crescimento do tráfego aéreo e prepara um plano de expansão bilionário para se consolidar como um dos principais hubs internacionais do continente. É justamente nesse cenário de recordes de passageiros que surge o receio de que a nova tecnologia acabe produzindo o efeito contrário ao esperado.
O Entry/Exit System foi criado pela União Europeia para modernizar o controle das fronteiras externas do Espaço Schengen. No primeiro ingresso, passageiros de países que não pertencem ao bloco precisam registrar eletronicamente o passaporte, fornecer impressões digitais e realizar o reconhecimento facial.
As informações permanecem armazenadas por três anos, permitindo que as entradas seguintes sejam mais rápidas e facilitando o controle automático do tempo máximo de permanência autorizado.
Na prática, porém, diversos aeroportos europeus enfrentaram dificuldades desde a implementação do sistema. Problemas técnicos, falhas nos totens de autoatendimento e a necessidade de repetir procedimentos já realizados contribuíram para aumentar significativamente o tempo de espera em alguns terminais.
Segundo Troncone, durante os períodos de pico o sistema atual não consegue acompanhar o volume de passageiros esperado em Roma. A preocupação é que a combinação entre o crescimento do turismo e a obrigatoriedade do cadastramento biométrico provoque filas que, segundo estimativas do setor aeroportuário europeu, poderiam chegar a várias horas.
A Airports Council International (ACI Europe), entidade que representa os aeroportos do continente, também manifestou preocupação com a capacidade operacional do sistema durante o verão. Já a Comissão Europeia sustenta que o EES funciona normalmente e afirma que grande parte dos atrasos decorre de problemas anteriores, como falta de pessoal nos postos de imigração, limitações da infraestrutura aeroportuária e concentração de voos nos mesmos horários.
Enquanto o debate continua em Bruxelas, Fiumicino busca uma solução temporária que permita reduzir a pressão sobre os controles migratórios sem comprometer a segurança das fronteiras. O objetivo é evitar que um dos aeroportos mais eficientes da Europa enfrente justamente na alta temporada um aumento expressivo das filas e do tempo de espera para milhões de passageiros.
