Vespa: São Paulo celebra um ícone que transformou design em cultura

Algumas marcas não pertencem apenas à indústria, pertencem ao imaginário, a Vespa é uma delas. Mais do que uma scooter, ela se tornou uma espécie de linguagem visual da modernidade italiana: um objeto que atravessou gerações sem perder o traço original, como se o tempo, em vez de apagá-la, tivesse apenas reforçado sua identidade.

Enquanto Roma recebe, entre 25 e 28 de junho, as celebrações oficiais dos 80 anos da Vespa durante o Vespa World Days, São Paulo antecipou parte desse movimento cultural na última terça-feira (23). Na capital paulista, um encontro reuniu convidados da cultura italiana, do turismo e do universo do design para celebrar não apenas a história de um veículo, mas a permanência de um símbolo.

O evento foi realizado pela High End Travels, pela Belmond e pela 2W Motors, empresa responsável pela operação da Vespa e da Piaggio no Brasil, reforçando a presença da marca no país e sua conexão com o universo do design e da mobilidade italiana.

A 2W Motors, sob a liderança dos empresários paulistanos Raul e Maurício Fernandes, assumiu no início do ano passado a operação exclusiva das scooters Vespa e Piaggio no Brasil. O grupo já atuava no país desde 2022 com a representação dos triciclos Piaggio Ape (os tuks-tuks), nas versões Cargo e Passenger, além de outros produtos do portfólio da marca.

Para Maurício Fernandes, sócio da 2W Motors, a Vespa ainda é pouco conhecida no Brasil, e o desafio é justamente apresentar ao público brasileiro toda a sua trajetória e relevância histórica, especialmente dentro do universo lifestyle. Por isso, o evento foi concebido em diálogo com o setor de turismo, reforçando essa leitura cultural e de experiência de marca.

Já para o sócio Raul Fernandes, um ponto interessante é que, ainda nos anos 1940, o design da Vespa já levava em conta o público feminino, em um contexto em que muitas mulheres usavam saias e não calças. A proposta foi criar um veículo que permitisse pilotar com conforto, liberdade e autonomia, sentindo o vento no rosto e ocupando o espaço urbano de forma mais independente. Essa dimensão ajuda a explicar o simbolismo da Vespa ligado à liberdade feminina, uma percepção que ainda vem se consolidando no Brasil.

Criada em 1946 pela Piaggio, na cidade de Pontedera, na Toscana, a Vespa nasceu no contexto do pós-guerra italiano, quando o país buscava reconstruir sua mobilidade e sua identidade urbana e ao longo de oito décadas, mais de 150 versões foram desenvolvidas, mas sua essência visual permaneceu surpreendentemente estável. Essa continuidade fez da Vespa um dos raros exemplos de produto industrial que se consolidou como ícone de design sem depender de rupturas estéticas.

Durante o encontro em São Paulo, representantes diplomáticos italianos destacaram justamente essa dimensão simbólica. O cônsul-geral da Itália, Domenico Fornara, definiu a Vespa como uma síntese de “paixão, design, moda e vida”, associando sua trajetória às experiências cotidianas que marcaram gerações na Itália, dos deslocamentos urbanos aos encontros afetivos.

Mais do que um meio de transporte, a Vespa consolidou-se como objeto cultural: atravessou o cinema, a moda e a publicidade, tornando-se uma imagem recorrente da cultura europeia no século XX. Hoje, aos 80 anos, segue ocupando um lugar singular, o de um design que não envelhece, apenas se reinscreve na paisagem urbana contemporânea.

Em São Paulo, essa história foi celebrada como patrimônio vivo. E, entre lembrança e permanência, a Vespa reafirma seu lugar não apenas nas ruas, mas no imaginário coletivo que ela ajudou a construir.

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