As montanhas italianas estão vivendo uma nova fase de crescimento. O turismo nas regiões alpinas e nos destinos de altitude voltou a ganhar força nos últimos anos e se consolidou como um dos segmentos mais dinâmicos do setor turístico do país. A avaliação foi feita durante o Mountain Hospitality Forum, realizado em Courmayeur, no Vale d’Aosta, em encontro promovido pelo setor hoteleiro e divulgado pela Confindustria Alberghi, com repercussão na imprensa local.
Tradicionalmente associada aos esportes de inverno e às temporadas de neve, a montanha italiana vem ampliando seu apelo muito além dos meses frios. Trilhas, gastronomia, bem-estar, atividades ao ar livre e contato com a natureza transformaram antigas localidades alpinas em destinos procurados durante todo o ano.
Segundo dados apresentados no encontro, o turismo de montanha movimenta cerca de 4,3 bilhões de euros em valor agregado e registra mais de 6,8 milhões de visitantes por temporada. O setor já superou os níveis observados antes da pandemia e continua atraindo novos investimentos.
O fenômeno reflete uma mudança no comportamento dos viajantes. Se durante décadas o imaginário das férias italianas esteve ligado às praias do Mediterrâneo, cresce agora o interesse por destinos mais frescos, especialmente durante os meses de verão, quando as temperaturas nas grandes cidades e nas regiões costeiras alcançam níveis cada vez mais elevados.
A tendência é particularmente visível em lugares como Courmayeur, aos pés do Mont Blanc, uma das paisagens mais emblemáticas dos Alpes. Ali, chalés históricos, hotéis de charme, spas e restaurantes de alta gastronomia convivem com trilhas centenárias, bosques e vilarejos que preservam tradições alpinas transmitidas de geração em geração.
Para muitos italianos, a montanha representa também um retorno a uma forma mais lenta de viajar. Caminhar por antigas rotas de pastoreio, observar lagos cristalinos, descobrir pequenas aldeias e experimentar produtos locais tornou-se uma alternativa cada vez mais valorizada diante do turismo de massa.
Especialistas do setor observam que as mudanças climáticas impõem desafios importantes para as estações de esqui, mas ao mesmo tempo aumentam a atratividade das regiões de altitude durante o verão. Esse movimento ajuda a distribuir o fluxo turístico ao longo do ano e cria novas oportunidades para hotéis, restaurantes, produtores locais e comunidades de montanha.
O renascimento das chamadas “terras altas” lembra, em certa medida, os anos dourados das décadas de 1950 e 1960, quando as férias nos Alpes simbolizavam elegância, contato com a natureza e qualidade de vida. Depois de um longo período em que muitos consideravam a montanha um destino secundário, a pandemia acelerou a redescoberta desses lugares.
Hoje, entre picos nevados, vales verdes e vilarejos de pedra, a montanha italiana volta a ocupar um lugar de destaque no imaginário turístico do país, atraindo não apenas amantes dos esportes de inverno, mas também viajantes em busca de silêncio, paisagens espetaculares e experiências autênticas em qualquer estação do ano.
As montanhas italianas vivem nova era e atraem turistas o ano inteiro

