O maior estádio da história da civilização: o Circo Máximo de Roma

250 mil espectadores. Essa era a impressionante capacidade deste gigantesco estádio destinado às corridas de bigas.

Na época imperial, media cerca de 600 metros de comprimento e 140 metros de largura. Para vocês entenderem sua grandiosidade, a área do Coliseu caberia ali quase três vezes.

As fontes antigas relatam que sua capacidade variava entre 250 mil e 385 mil espectadores. Para fazer uma comparação moderna, o estádio atual dos times da capital italiana, Roma e Lazio, comporta cerca de 70.634 pessoas.

O Circo Máximo era localizado no vale entre os montes Palatino e Aventino. As primeiras estruturas monumentais datam de 329 a.C. e inicialmente eram feitas de madeira. Posteriormente, sob o comando de Júlio César, foi transformado em alvenaria e ganhou sua forma definitiva a partir de 46 a.C.

Uma primeira grande restauração aconteceu durante o governo do imperador Augusto, que mandou instalar um obelisco vindo do Egito: o famoso Obelisco Flamínio. Outras restaurações ocorreram sob Tibério e Nero. Os incêndios eram muito frequentes na antiga Roma e vários deles atingiram também o Circo Máximo.

Durante séculos, ele foi o coração do entretenimento de Roma e do mundo antigo. Corridas, festas e espetáculos atraíam milhões de pessoas ao longo dos anos.

Com o passar do tempo, porém, o Circo Máximo deixou gradualmente de ser utilizado de forma contínua. Na Idade Média começou seu lento declínio, provocado pelos próprios descendentes dos romanos, ou seja, pelos habitantes de Roma. Por necessidade, decidiu-se reutilizar os materiais ornamentais do Circo em novas construções ou para enriquecer edifícios já existentes. Os travertinos foram utilizados para decorar igrejas, enquanto os mármores serviram para escadarias e palácios. As pedreiras eram de difícil acesso e, por isso, tornou-se mais simples retirar materiais de edifícios abandonados. Um deles foi justamente o Circo Máximo.

Em poucos séculos, um gigantesco pedaço da história desapareceu. Não existiu uma ordem oficial para destruí-lo. Ele simplesmente foi sendo apagado lentamente pelo avanço da modernidade e pela evolução da civilização.

Blocos de mármore e travertino foram reaproveitados para construir novas obras e edifícios, em uma espécie de reciclagem arquitetônica da Antiguidade.

Ainda hoje é possível ver o formato do Circo Máximo, enquanto sua estrutura externa praticamente desapareceu. Arquibancadas, obeliscos e muitas das construções originais já não existem mais, mas ainda podemos imaginá-los graças às fontes históricas que chegaram até nós. Agora vocês sabem que o maior edifício já construído para entretenimento, capaz de receber mais de 250 mil espectadores, não foi destruído por um inimigo ou por uma invasão.

Ele foi desmontado lentamente pelos próprios herdeiros de Roma, pedaço por pedaço, ao longo dos séculos, para construir outras obras e edifícios que ainda existem atualmente.

Hoje, no lugar do antigo estádio, permanece um enorme campo monumental que continua, de certa forma, exercendo a mesma função de antigamente. Concertos, eventos e shows ao vivo ainda movimentam o local, principalmente durante o verão.

O mundo muda, os impérios caem, mas o Circo Máximo continua entretendo novas gerações até hoje.

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