Muito além do boneco de madeira de nariz comprido, As Aventuras de Pinóquio é considerado um dos maiores símbolos da literatura italiana no mundo. Traduzido em centenas de idiomas e conhecido por gerações de leitores, o personagem criado por Carlo Collodi ganhará em 2026 uma série de homenagens na Itália pelos 200 anos de nascimento de seu autor. A informação foi amplamente divulgada pelo portal Italia Informa.
O bicentenário de Collodi, nome artístico do escritor toscano Carlo Lorenzini, será marcado por um projeto nacional promovido pelo Ministério da Cultura italiano que pretende mostrar um lado menos conhecido do autor: não apenas o criador de Pinóquio, mas também jornalista, intelectual, patriota do período da unificação italiana e observador crítico da sociedade do século XIX.
As celebrações acontecerão entre junho e dezembro de 2026 e incluem espetáculos teatrais, podcasts, exposições itinerantes, encontros universitários e atividades culturais espalhadas por diferentes regiões italianas.
O eixo principal do projeto será a peça teatral “Il burattino che sapeva troppo” (o boneco de madeira que sabia demais), uma releitura em tom noir que transforma Pinóquio quase em um investigador encarregado de reconstruir a vida de Collodi. A proposta tenta se afastar da imagem infantil tradicional para recuperar o contexto histórico e político em que a obra nasceu.
Para muitos estrangeiros, Pinóquio é apenas um personagem associado aos desenhos animados ou à Disney. Na Itália, porém, o livro ocupa um lugar muito mais profundo dentro da cultura nacional. Publicado originalmente em capítulos no fim do século XIX, o romance mistura humor, crítica social, pobreza, educação, obediência e desejo de ascensão social em uma Itália que ainda estava construindo sua identidade como país unificado.
O próprio autor viveu intensamente esse período histórico. Carlo Lorenzini participou das guerras do Risorgimento, trabalhou como jornalista político e escreveu em jornais satíricos de Florença antes de criar Pinóquio. Por isso, o bicentenário quer recolocar Collodi dentro da história cultural italiana e não apenas como “pai de um personagem infantil”.
Entre os projetos previstos também está a gravação dos 36 capítulos originais de Pinóquio em formato de podcast, realizados em 14 regiões italianas e distribuídos gratuitamente em plataformas digitais. Haverá ainda uma grande mostra itinerante conectando a obra ao contexto da Itália pós-unificação, com instalações multimídia, objetos cenográficos e painéis interativos.
O projeto também aposta no aspecto social da cultura. Algumas atividades envolverão comunidades locais, imigrantes, ex-detentos e grupos tradicionalmente afastados dos grandes circuitos culturais italianos.
A força mundial de Pinóquio ajuda a explicar a dimensão das comemorações.
Segundo instituições culturais italianas, o livro está entre os mais traduzidos do planeta, atrás apenas da Bíblia em número de idiomas e edições internacionais.
Dois séculos depois do nascimento de Collodi, a Itália tenta agora recuperar não apenas o boneco famoso, mas também o escritor inquieto, político e irônico que deu vida a um dos personagens mais universais da literatura.
Itália celebra os 200 anos do escritor Collodi, criador do eterno Pinóquio

