A cúpula de Brunelleschi, ainda hoje um mistério sobre como foi construída

A cúpula de Brunelleschi, ainda hoje um mistério sobre como foi construída, é talvez a mais famosa do mundo.

Pensem que ela pesa 37 mil toneladas e, ainda hoje, engenheiros e cientistas se perguntam como foi possível construir uma obra dessa grandiosidade com os meios da época.

Voltamos séculos no tempo. Estamos em 1420. A catedral já possui a base pronta, o chamado tambor octogonal, mas ninguém sabe como fechá-lo. A cúpula, na verdade, imagine-a como uma enorme tampa, um gigantesco fechamento.

O diâmetro interno é de impressionantes 45 metros, muito maior do que o do Panteão de Roma. Todos os maiores construtores da época recusam a responsabilidade de realizar a obra. Todos, menos um.

Seu nome: Filippo Brunelleschi.

A proposta de Brunelleschi inicialmente não foi compreendida pelos comissários da Opera del Duomo. O projeto previa a construção da cúpula sem o uso de um gigantesco andaime central: a própria alvenaria se sustentaria sozinha à medida que fosse sendo construída.

Os comissários, depois de receberem apenas recusas durante mais de dez anos, aceitaram a proposta mesmo diante das compreensíveis dúvidas.

A obra começa a ganhar forma e os trabalhos se iniciam. Brunelleschi divide a cúpula em duas estruturas sobrepostas: uma interna, estrutural, e outra externa, de cobertura, ligadas entre si por arcos e diafragmas de alvenaria, fazendo com que trabalhassem juntas como uma única estrutura espacial. Os oito segmentos que formam o octógono se sustentam e se equilibram mutuamente à medida que a construção sobe em altura.

Você sabe de quantos tijolos a cúpula é composta?

4 milhões, mas estamos apenas no início desta extraordinária obra arquitetônica. Lembremos que estamos em 1420.

Brunelleschi também inventa um sistema de construção único e inovador, chamado “espinha de peixe”.

A cada 90 centímetros de tijolos colocados horizontalmente, um deles era posicionado na vertical. Como um apoio de livros dentro de uma estante.

Os tijolos verticais bloqueiam os horizontais, impedindo que deslizem para baixo durante a construção, antes que a argamassa endureça. Essa técnica é a verdadeira espinha dorsal de toda a auto sustentação da cúpula.

A tudo isso, que para a época era revolucionário, somam-se anéis horizontais de pedra e madeira distribuídos dentro da estrutura, exatamente como os aros que mantêm unidas as barricas de vinho.

Esses anéis impedem que a cúpula se abra para fora, quase como se evitassem uma gigantesca explosão provocada pelo peso das 37 mil toneladas de tijolos pressionando de cima.

Toda a obra levará 16 anos para ser concluída, de 1420 a 1436. Uma média impressionante: cerca de uma fileira de tijolos por semana, apenas 30 centímetros por mês. Nenhuma estrutura externa de sustentação. A alvenaria se mantém sozinha, como uma planta crescendo lentamente em direção ao céu.

Somente a lanterna colocada no topo pesa cerca de 750 toneladas. Hoje ela é admirada por milhões de turistas todos os anos e se tornou o símbolo absoluto de Florença. Ainda ali, imponente e majestosa, resiste há séculos às intempéries do tempo.

Filippo Brunelleschi, um gênio italiano estudado até hoje nos livros universitários de arquitetura do mundo inteiro.

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