Vocês se lembram daquele som mecânico característico das estações ferroviárias?
É um som que todos nós já ouvimos pelo menos uma vez. Um ruído capaz de marcar também a rotina de trabalho de milhões de pessoas. Bastava seguir aquele som para entender para onde olhar: horários, atrasos, plataformas de onde os trens partiam.
Talvez no Brasil o trem não seja utilizado tanto quanto na Europa, mas o mesmo conceito vale para os aeroportos e para aqueles painéis que acompanham cada viagem.
Por que estou contando sobre esse som?
Porque aqueles painéis que hoje vemos em versão eletrônica, com grandes displays e letras laranjas luminosas, foram criados por uma empresa italiana. Antes funcionavam através de um movimento totalmente mecânico; hoje utilizam tecnologias LED cada vez mais avançadas.
A empresa se chama Solari di Udine.
Ela nasceu, imaginem só, em 1725, em Pesariis, pequena localidade da região de Friuli-Venezia Giulia, não muito distante de Udine. Obviamente, naquela época, não produzia painéis ferroviários: fabricava relógios para campanários e relógios de parede.
Com o passar do tempo, graças ao desenvolvimento da rede ferroviária na Europa e na Itália, surgiu uma das invenções que marcaria a história do design industrial e dos transportes: o famoso sistema de palhetas.
Um mecanismo capaz de atualizar letras e números através de pequenas linguetas giratórias, responsáveis por aquele típico som metálico que acompanhou gerações de viajantes, não apenas na Itália, mas no mundo inteiro.
A partir dos anos 1950, esses painéis começaram a ser instalados em estações ferroviárias e aeroportos.
Em 1956, foram introduzidos nas estações da Bélgica e, a partir daquele momento, a Solari tornou-se fornecedora oficial de infraestruturas na Europa, Estados Unidos, Ásia e América do Sul.
Imaginem que, em 2008, a empresa conquistou um contrato para fornecer nada menos que 800 displays para o aeroporto de Nova Délhi, na Índia.
Em Paris, por outro lado, realizou mais de 6 mil telas inteligentes para pontos de ônibus.
Muitos aeroportos do Brasil também utilizam displays desenvolvidos por essa histórica empresa italiana.
Eles foram projetados para permanecer perfeitamente legíveis em qualquer condição de luz e, pensem só, continuam funcionando até mesmo em caso de interrupção de energia elétrica.
Com o tempo, esses painéis também passaram a ser admirados como verdadeiros objetos de design industrial. O famoso modelo Cifra 3 está hoje exposto no Museum of Modern Art de Nova York.
Mais uma vez, uma pequena realidade italiana conseguiu criar um objeto utilizado diariamente em todo o mundo.
E para os mais nostálgicos, a empresa também produziu relógios para casa que retomam o estilo clássico e, principalmente, aquele som mecânico inconfundível, capaz até hoje de transportar muitas pessoas diretamente para uma estação ferroviária.

