sex. abr 24th, 2026

Emprego: Itália fica para trás na Europa e tem maior desigualdade de genero na União

A Itália trabalha mais do que antes, mas ainda não o suficiente para alcançar a Europa. E, no centro desse atraso, existe um problema que resiste há décadas: a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Dados recentes do Instituto europeu de Estatística (Eurostat) mostram um cenário de avanços tímidos e desequilíbrios estruturais que continuam a frear o país.

Em 2025, a taxa de ocupação na Itália entre pessoas de 15 a 64 anos chegou a 62,5%. É um número em crescimento, mas ainda distante da média europeia, que ultrapassa os 71%. A diferença de 8,5 pontos não é apenas estatística. Ela reflete um país que, apesar de avanços, não consegue acompanhar o ritmo de seus vizinhos.

Quando o recorte é ampliado para a faixa entre 20 e 64 anos, usada nas comparações internacionais, o cenário se repete. A Itália atinge 67,6%, enquanto a média da União Europeia chega a 76,1%, o maior nível já registrado.

O contraste fica ainda mais evidente quando se observa os grandes países europeus. A Alemanha supera os 81%, a França está acima de 75% e a Espanha já passa dos 72%. Mesmo países que historicamente enfrentaram dificuldades maiores avançam mais rápido. 



A Grécia, por exemplo, registrou um crescimento superior a um ponto percentual no último ano, enquanto a Itália avançou apenas 0,3. Desde 2019, o país ganhou 3,5 pontos na taxa de ocupação. No mesmo período, a Grécia cresceu 8,5 pontos e a Espanha 3,7, mostrando que o problema italiano não é apenas o ponto de partida, mas a velocidade da recuperação.

Mas o principal obstáculo não está apenas na economia. Ele está na estrutura social. A participação feminina no mercado de trabalho continua sendo um dos grandes pontos fracos. Apenas 53,8% das mulheres entre 15 e 64 anos estão empregadas, bem abaixo da média europeia de 66,6%. A diferença entre homens e mulheres chega a 17,4 pontos, quase o dobro da média da União Europeia.

Quando se observa a faixa entre 20 e 64 anos, os números melhoram em nível absoluto, mas o desequilíbrio permanece. A taxa feminina sobe para 58%, enquanto a masculina atinge 77,1%. O resultado é um abismo de 19,1 pontos, o maior de toda a União Europeia. A média do bloco é de 9,6. Mesmo países com dificuldades estruturais, como Romênia e Grécia, apresentam diferenças menores.

A desigualdade se torna ainda mais evidente na fase central da vida profissional, entre 25 e 54 anos. Nesse grupo, apenas 65% das mulheres trabalham, contra 84,6% dos homens. É nesse momento que fatores como maternidade, falta de serviços de apoio e desigualdade de oportunidades impactam diretamente a carreira feminina.

O caso italiano revela um paradoxo. O emprego cresce, mas cresce sobre uma base desequilibrada. Sem uma participação feminina mais forte, o país dificilmente conseguirá reduzir a distância em relação à Europa. O problema não é apenas econômico, é cultural, social e estrutural.

A Itália continua sendo uma das maiores economias da Europa, com forte tradição industrial e cultural. Mas, para acompanhar o ritmo do continente, terá que enfrentar seus próprios limites internos. Entre eles, um dos mais evidentes: garantir que mais mulheres possam trabalhar, crescer e permanecer no mercado. Porque, no fim, não se trata apenas de aumentar números, mas de mudar a forma como o trabalho acontece.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *