Entre o Golfo de Nápoles e as montanhas verdes dos Monti Lattari existe um território que muitos turistas ainda descobrem apenas de passagem. Ali fica Castellammare di Stabia, cidade histórica da região da Campânia que, junto com municípios vizinhos, quer agora transformar sua herança cultural e natural em um novo motor de turismo.
Nos últimos meses, quase 200 empresas, associações e organizações locais aderiram ao comitê Identità Stabiane, uma iniciativa criada para valorizar e promover o território que inclui cidades como Agerola, Gragnano, Lettere, Pimonte e Santa Maria la Carità, além da própria Castellammare.
Para quem não conhece a região, Stabia tem uma história antiga. A cidade nasceu na época romana e foi destruída pela erupção do Vesúvio no ano 79 d.C., a mesma que sepultou Pompeia e Herculano. Durante séculos, o lugar continuou a atrair visitantes graças às suas águas termais, aos palácios históricos e à paisagem que mistura montanhas, bosques e o mar do Mediterrâneo.
Hoje, a região busca redescobrir esse patrimônio e apresentá-lo ao público contemporâneo. O objetivo do comitê é construir uma estratégia comum para atrair um turismo mais qualificado, interessado não apenas em paisagens, mas também em cultura, gastronomia e experiências locais.
A partir de abril começam as primeiras iniciativas concretas do projeto. Estão previstos cursos de formação profissional para trabalhadores do setor turístico, voltados para áreas como guias de trekking, concierge urbano e guias náuticos. A ideia é preparar profissionais capazes de receber visitantes com uma abordagem mais moderna e organizada.
O projeto também pretende criar novos roteiros turísticos que combinem natureza, história e sabores locais. Entre as experiências planejadas estão caminhadas pelos bosques de Quisisana, onde ainda existem antigas fontes construídas na época dos reis Bourbon, excursões até o Monte Coppola e visitas culturais à antiga residência real da região, a Reggia di Quisisana.
Outros pontos de interesse incluem o Museu Libero D’Orsi, dedicado às descobertas arqueológicas da antiga Stabiae romana, e o museu cívico da cidade. O roteiro também se estende aos municípios vizinhos, cada um com sua identidade própria. De Gragnano, famosa mundialmente pela produção de massas, até vilarejos montanhosos que oferecem trilhas e paisagens panorâmicas.
O projeto envolve instituições locais, organizações culturais e entidades ligadas ao turismo e à gastronomia. Entre os parceiros estão a fundação do Parque dos Monti Lattari e representantes da rede Slow Food da região da Costa Sorrentina, Stabia e Capri.
Mais do que promover um destino turístico, a iniciativa tenta recuperar um sentimento de identidade compartilhada entre cidades que dividem história, território e tradições.
Entre trilhas nas montanhas, palácios históricos e sabores da culinária campana, o território de Stabia quer mostrar que ainda há muito a descobrir além dos destinos mais famosos do sul da Itália. Um convite para olhar com mais atenção para um pedaço do Mediterrâneo que, por séculos, viveu à sombra de Pompeia — mas que agora quer brilhar com luz própria.

