ter. mar 17th, 2026

Export italiano cresce em 2025, mas revela duas Itálias econômicas



A Itália é um país que exporta muito mais do que produtos. Exporta histórias, paisagens, tradições e o famoso made in Italy que atravessa continentes. Em 2025, mesmo diante de um cenário internacional complexo e das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, as exportações italianas conseguiram crescer 3,3%, segundo dados divulgados pelo instituto nacional de estatística Istat.

Mas, por trás desse resultado positivo, aparece uma geografia econômica cheia de contrastes.

Algumas regiões viveram um ano quase brilhante. A Toscana, por exemplo, foi a grande protagonista das exportações italianas em 2025, registrando um aumento impressionante de 21,3% nas vendas ao exterior. Conhecida no mundo pelos vinhos, pela moda e pela indústria de luxo, a região aproveitou a forte demanda de mercados como Suíça, França e Espanha, além de manter um crescimento relevante também nas exportações para os Estados Unidos, mesmo com o impacto das novas tarifas.

Logo atrás aparece o Friuli-Venezia Giulia, no nordeste da Itália, com crescimento de 17,8%, seguido pela Calábria, no sul do país, que surpreendeu analistas ao alcançar 10,8% de aumento nas exportações. Também tiveram bom desempenho Ligúria e Lazio, região de Roma, que registraram avanços superiores a 9%.

No caso do Lazio, um fator decisivo foi o forte aumento das vendas para os Estados Unidos, que cresceram mais de 50% ao longo do ano. Mesmo com o endurecimento das regras comerciais, algumas empresas italianas conseguiram reforçar sua presença no mercado americano.

No entanto, o panorama muda quando se observa outras partes do país. O relatório do Istat mostra que as exportações italianas cresceram principalmente nas regiões do Centro, enquanto o Sul e as ilhas enfrentaram um período mais difícil.

Regiões como Basilicata, Sardegna e Sicília registraram quedas expressivas nas vendas externas, com retrações de dois dígitos. A Basilicata teve a maior queda, próxima de 18%, seguida pela Sardegna e pela Sicília. As Marche, no centro do país, também fecharam o ano com desempenho negativo.

Essa diferença entre territórios revela duas velocidades distintas dentro da economia italiana. Enquanto algumas regiões conseguem se posicionar com força nos mercados internacionais, outras ainda enfrentam dificuldades estruturais para competir globalmente.
Mesmo entre os setores mais simbólicos do país houve sinais de desaceleração. O vinho italiano, um dos produtos mais conhecidos do país no exterior, fechou 2025 com exportações de 7,78 bilhões de euros, registrando queda de 3,7% em valor e de 1,9% no volume exportado.

Os dados mostram que o sistema exportador italiano continua forte e resiliente, mas também evidenciam um desafio antigo: reduzir as diferenças entre regiões e garantir que o sucesso do made in Italy seja compartilhado de forma mais equilibrada por todo o país.

Entre vinhedos da Toscana, portos da Ligúria, fábricas do norte e pequenas empresas familiares espalhadas pelo território, a Itália continua levando seus produtos para o mundo. Mas o mapa das exportações revela que, por trás da mesma bandeira, existem muitas realidades econômicas diferentes.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *