qui. mar 12th, 2026

Agriturismo movimenta quase 2 bi por ano na Itália e reforça turismo rural sustentável

Dormir em uma antiga casa de campo, acordar com vista para vinhedos, provar queijo produzido ali mesmo e caminhar por pequenas vilas históricas. Essa experiência, cada vez mais procurada por viajantes, explica o crescimento constante do agriturismo na Itália. Segundo dados recentes do Instituto Nacional de Estatística italiano (Istat), o valor econômico desse setor aumentou em média 5,3% ao ano na última década, confirmando o papel central da hospitalidade rural no turismo do país.

Em 2024, o agriturismo italiano movimentou cerca de 1,9 bilhão de euros, resultado de milhares de propriedades agrícolas que abriram suas portas para receber visitantes. O modelo combina agricultura, gastronomia e hospedagem, oferecendo ao turista uma forma mais autêntica de conhecer o território italiano.

Hoje, as estruturas de agriturismo estão espalhadas por praticamente todo o país, especialmente em áreas rurais e colinas históricas. As regiões do Norte concentram cerca de 43,6% das propriedades, responsáveis por mais da metade do valor econômico do setor. Já o Centro da Itália, onde está a famosa Toscana, reúne aproximadamente 36,5% das unidades. O Sul e as ilhas, embora tenham participação menor, apresentam crescimento significativo e novas aberturas de estabelecimentos.

Em média, cada empresa agriturística gera atualmente mais de 73 mil euros por ano, um valor que demonstra a consolidação desse modelo de turismo ligado ao território. Algumas regiões registram desempenho ainda mais elevado, especialmente no Nordeste do país, onde o faturamento médio ultrapassa os 100 mil euros por propriedade.

Outro dado importante é a vitalidade do setor. Nos últimos anos, o número de novas autorizações para agriturismos tem superado o de encerramentos, indicando uma atividade ainda em expansão, mesmo com sinais de desaceleração após o forte crescimento do período pós-pandemia.

O fenômeno também responde a uma transformação mais ampla no turismo. Cada vez mais visitantes procuram experiências ligadas à natureza, à cultura local e à gastronomia tradicional. Nesse contexto, o agriturismo se tornou uma alternativa às grandes cidades superlotadas, oferecendo um turismo mais lento, sustentável e conectado às comunidades rurais.

Além da hospedagem, muitos desses lugares funcionam como pequenas janelas para a vida agrícola italiana. Os hóspedes participam de degustações de vinhos, colheitas sazonais, aulas de culinária e atividades ligadas à produção de azeite, queijo ou massas artesanais. É uma forma de turismo que mistura descanso, descoberta cultural e contato direto com o campo.

Não por acaso, o agriturismo é frequentemente apontado como uma das expressões mais autênticas do chamado made in Italy. Ao valorizar paisagens rurais, tradições culinárias e pequenas produções agrícolas, esse modelo ajuda a preservar territórios inteiros e a manter viva uma parte essencial da identidade italiana.

Entre vinhedos, oliveiras e vilarejos de pedra, o agriturismo continua crescendo. Mais do que uma tendência turística, tornou-se uma forma de contar a história do país através de suas paisagens e de sua mesa.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *