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21 de fevereiro: Dia Nacional da Imigração Italiana, a saga que moldou o Brasil


Em 21 de fevereiro de 1874, um grupo de famílias italianas lideradas por Pietro Tabacchi desembarcava no Espírito Santo. Aquele momento, aparentemente apenas mais uma chegada em meio a tantas travessias atlânticas do século XIX, transformou-se em símbolo do início da grande migração italiana para o Brasil. Houve chegadas anteriores, dispersas e em menor escala, mas foi a partir daquela expedição que se consolidou um fluxo contínuo, organizado e massivo de italianos rumo ao país sul-americano.

Eles vinham sobretudo do Vêneto, da Lombardia, do Piemonte e do Trentino. Fugiam da pobreza rural, das crises agrícolas, da falta de trabalho e das profundas transformações sociais que marcaram a Itália recém-unificada. Do outro lado do oceano encontravam um Brasil que precisava de braços para a lavoura, especialmente após o fim do tráfico negreiro e às vésperas da abolição da escravidão. A promessa era de terra e oportunidade. A realidade, muitas vezes, era de sacrifício extremo.

Entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, cerca de 1,5 milhão de italianos emigraram para o Brasil. Foi um dos maiores movimentos migratórios da história brasileira. Só o estado de São Paulo recebeu centenas de milhares de famílias que passaram a trabalhar nas fazendas de café, ajudando a transformar o grão no motor da economia nacional. O café financiou ferrovias, cidades, bancos e indústrias, e a mão de obra italiana foi peça central nesse processo.

Mas a imigração não se limitou ao Sudeste. No Sul do país, italianos fundaram colônias que se tornaram municípios prósperos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. No Espírito Santo, onde a saga simbólica começou, comunidades inteiras preservaram tradições, dialetos e receitas trazidas da terra natal. Vinhedos surgiram nas serras, pequenas propriedades agrícolas floresceram e o trabalho familiar tornou-se marca registrada.

Ao longo das gerações, a integração foi profunda. Estima-se que hoje mais de 30 milhões de brasileiros tenham ascendência italiana. É a maior comunidade de origem italiana fora da Itália. Sobrenomes, sotaques, festas religiosas, culinária, música e até a forma expansiva de falar carregam traços dessa herança. A mesa brasileira ganhou massas, polentas, vinhos artesanais e uma cultura gastronômica que mistura o Mediterrâneo com o trópico.

O Dia Nacional da Imigração Italiana foi instituído no Brasil pela Lei nº 11.687, de 2 de junho de 2008, justamente para marcar a chegada da expedição de Pietro Tabacchi em 21 de fevereiro de 1874. A data reconhece oficialmente a contribuição histórica, econômica e cultural dos imigrantes italianos e seus descendentes na formação do país.

Celebrar esse dia é lembrar que a imigração foi feita de coragem e dor, de despedidas nos portos de Gênova e Veneza, de navios lotados cruzando o Atlântico, de incerteza e esperança misturadas. Foi também uma história de reconstrução. Os italianos trouxeram técnicas agrícolas, espírito associativo, cooperativismo, fé e uma cultura de trabalho que ajudou a consolidar o Brasil moderno.

A saga iniciada em Espírito Santo ecoa até hoje. Ela vive nas cidades do interior paulista, nas vinícolas da Serra Gaúcha, nas festas típicas do Sul, nas cantinas familiares espalhadas pelo país. Vive na memória de quem sabe que, sem aqueles homens e mulheres que atravessaram o oceano, o Brasil teria outro rosto.

No 21 de fevereiro, mais do que relembrar um fato histórico, o país celebra uma ponte afetiva e permanente entre Brasil e Itália. Uma ponte construída com suor, café, terra e sonhos.

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