Existe um tipo de turismo que não nasce do desejo de ver, mas da necessidade de lembrar. Ele não busca cartões-postais, mas nomes, sobrenomes, registros antigos, casas que sobrevivem apenas nas histórias de família. É o turismo das raízes. E em Pinerolo, no dia 23 de janeiro de 2026, esse tema ganha espaço no encontro “Turismo e Cultura: a importância das raízes e do território”, realizado na Biblioteca Cívica Alliaudi.
Aqui, viajar significa voltar. Um retorno simbólico, afetivo, muitas vezes essencial. A Itália foi, por décadas, um país de partida. E Pinerolo, terra marcada pela emigração piemontesa, conhece bem essa história. «Muitos pineroleses desejam reencontrar suas origens», afirmou o prefeito Luca Salvai, «renovando o vínculo com a cidade». Não é nostalgia, é identidade.
O turismo das raízes transforma memória em experiência. Arquivos em caminhos. Genealogia em encontro. Um turismo consciente, que respeita os territórios e envolve as comunidades locais. Um projeto cultural antes de ser econômico, como destacou Nicholas Padalino, vice-presidente da ANCI Piemonte.
No centro desse movimento está o projeto Italea, promovido pelo Ministério das Relações Exteriores da Itália dentro do PNRR e financiado pela NextGenerationEU. A iniciativa oferece viagens genealógicas personalizadas, apoio na pesquisa das origens e uma rede de acolhimento ativa em todas as regiões italianas, voltada a italianos no exterior e descendentes de emigrantes.
Os primeiros dados revelam um potencial impressionante: cerca de 80 milhões de ítalo-descendentes no mundo. As primeiras 10 mil solicitações já chegaram, mesmo antes do início efetivo da campanha internacional. Um sinal claro de que o vínculo com a Itália permanece vivo.
Esse vínculo é fortíssimo no Brasil, país que acolheu uma das maiores comunidades de emigrantes italianos. Milhões de descendentes carregam sobrenomes, costumes e memórias herdadas. Para eles, o turismo das raízes é mais do que uma viagem: é reconexão emocional, reconstrução identitária, retorno simbólico às origens familiares espalhadas entre Piemonte, Vêneto, Lombardia, Calábria e tantas outras regiões.
O Piemonte propõe experiências que unem paisagem, história e memória. Dos pequenos municípios da província de Cuneo às rotas alpinas da Valle Stura, até o Museu das Migrações de Pettinengo, em Biella, cada itinerário devolve humanidade às estatísticas da emigração.
Mas o fenômeno é nacional. De Gênova às Marcas, da Calábria à Puglia, a Itália redescobre sua própria história através de quem partiu. O objetivo é transformar o visitante em um “cidadão temporário”, alguém que não apenas visita, mas reconhece e pertence.
Em um mundo cada vez mais desenraizado, o turismo das raízes propõe um gesto essencial: lembrar para seguir adiante. Porque as raízes não prendem. Elas sustentam. E, às vezes, indicam o caminho de volta.

