qui. ago 28th, 2025

Roma, onde até a sede tem história: dos aquedutos, as fontes barrocas, aos charmosos ‘nasoni’.

Se um dia você decidir incluir Roma no seu roteiro de férias, seja numa viagem romântica, numa aventura em família ou mesmo no caminho de volta às origens italianas, prepare-se para uma experiência curiosa: em Roma, a água é tão protagonista quanto o Coliseu ou o Vaticano.

A cidade é famosa por suas praças decoradas com fontes monumentais, mas há outro detalhe que encanta quem caminha sem pressa pelas ruas: os nasoni (literalmente ‘narigões’). Essas pequenas torneiras públicas de ferro fundido estão espalhadas em milhares de pontos e jorram água fresca durante todo o dia. Criados no século XIX, ganharam esse apelido divertido por causa do bico curvado que lembra um nariz comprido. Hoje são um verdadeiro aliado do viajante: basta carregar uma garrafinha e se hidratar de graça em qualquer bairro.

O interessante é que essas fontes não são apenas uma gentileza urbana, mas também fazem parte do funcionamento inteligente da rede hidráulica. Elas aliviam a pressão nos canos, evitando danos e desperdícios, um detalhe técnico que se mistura naturalmente com o charme cotidiano da cidade.

Mas a tradição de Roma com a água é muito mais antiga. Séculos antes dos nasoni, já existiam os aquedutos romanos, imensas obras de engenharia que transportavam água de regiões montanhosas a dezenas de quilômetros dali. Graças a eles, os romanos tinham acesso a banhos públicos, fontes e até encanamentos residenciais. Mais do que uma questão de conforto, essa distribuição representava uma ideia de bem comum: a água era de todos e fazia parte da identidade coletiva da cidade.

Não é por acaso que a sigla Spqr, vista até hoje em prédios e monumentos, resume essa visão: “Senado e Povo Romano”. Levar água às praças e aos bairros era também uma forma de reforçar que Roma não pertencia a um governante isolado, mas a toda a sua comunidade.

Por isso, quando você estiver na Cidade Eterna, não se limite a jogar uma moeda na Fontana di Trevi. Experimente beber direto de um nasone, sentir a água gelada nas mãos e imaginar que esse gesto simples conecta você a uma história de mais de dois mil anos. Em Roma, até matar a sede é uma viagem no tempo.

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