qui. jan 15th, 2026

Roma e o Cinema #12 – Suburra (2015)

Roma, onde o sagrado e o criminoso dividem a mesma noite

Em Suburra, Stefano Sollima arranca de Roma sua face mais densa e sombria, revelando uma cidade corroída por dentro. A capital surge constantemente molhada pela chuva, iluminada por néons frios e consumida por acordos secretos, chantagens e conspirações. De Piazza Venezia às praias decadentes de Ostia, da sombra impenetrável do Vaticano às ruas de Prati e ao concreto monumental do EUR, Roma se transforma em um tabuleiro cruel onde poder, política, Igreja e crime organizado se enfrentam sem piedade, em alianças frágeis e traições inevitáveis.

É uma Roma brutal, moderna e quase apocalíptica, onde cúpulas históricas e arranha-céus austeros coexistem com becos silenciosos, prédios abandonados e mares revoltos. A fotografia escura e a trilha sonora tensa reforçam essa atmosfera de colapso iminente. Os personagens caminham como peões de um destino inevitável, presos a jogos maiores do que eles, enquanto a cidade ao mesmo tempo majestosa e implacável, observa tudo com indiferença milenar.

Aqui, Roma não oferece redenção: apenas verdade. Uma verdade crua, luminosa e terrivelmente fascinante, marcada pela corrupção sistêmica e pela ausência de heróis, que expõe a fragilidade das instituições e dos homens. É essa visão que prova que, até na escuridão mais profunda, a cidade eterna continua… eterna.

Locais icônicos: Piazza Venezia – Ostia – Vaticano – Prati – EUR

Direção: Stefano Sollima

Elenco: Pierfrancesco Favino, Elio Germano, Claudio Amendola

Ano: 2015

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