Quase 7 em 10 italianos querem mudar de carreira, mas não sabem como

O levantamento, repercutido pela imprensa, foi realizado pela Censuswide com mil trabalhadores e pessoas em busca de emprego na Itália, a pedido do Indeed, e mostra um mercado de trabalho em que a estabilidade já não significa necessariamente permanecer na mesma profissão durante toda a vida.
Entre os principais obstáculos estão o medo da idade, citado por 31% dos entrevistados, a sensação de que seria necessário começar novamente do zero (28%) e a insegurança financeira (26%). As responsabilidades familiares aparecem para 19%, enquanto 18% têm medo de fracassar.
A insegurança também aparece quando os italianos olham para o futuro. 28% não se sentem plenamente seguros em relação à própria trajetória profissional no longo prazo. Ao mesmo tempo, 52% dizem ter competências que poderiam ser aproveitadas em outras áreas, mas não sabem exatamente em quais funções essas habilidades seriam valorizadas.
A dúvida, portanto, não é apenas sobre qual profissão escolher. 64% gostariam de saber para quais funções seu perfil seria adequado com base nas competências e experiências que já possuem. Um em cada três entrevistados também afirma ter dificuldade para explicar, durante uma entrevista de emprego, por que seria adequado para determinada vaga.
Quando imaginam uma mudança, os italianos não necessariamente pensam em abandonar tudo para começar uma carreira completamente diferente. Entre os setores que mais despertam interesse estão áreas bastante tradicionais: administração pública (31%), vendas (26%), tecnologia da informação (23%), logística (20%) e indústria (19%).
A pesquisa mostra ainda que a carreira está sendo encarada de maneira cada vez menos linear. Para 28% dos entrevistados, a vida profissional deverá passar por uma evolução constante. Outros 15% acreditam que mudarão completamente de setor pelo menos uma vez, enquanto 9% esperam fazer isso várias vezes.
E o chamado “trabalho dos sonhos” continua presente: mais de quatro em cada dez italianos afirmam ter uma carreira ideal que gostariam de alcançar. Entre os jovens de 25 a 34 anos, 69% dizem que compreender melhor as diferentes possibilidades profissionais lhes daria mais confiança para mudar.
O retrato que emerge é o de trabalhadores dispostos a se reinventar, mas que precisam de mais informação para transformar a vontade em decisão. No mercado de trabalho italiano, aparentemente, a pergunta já não é apenas “quero mudar?”, mas também “o que posso fazer com tudo aquilo que já aprendi?”.
