ter. jan 13th, 2026

Pitti Uomo 109 – Análise JI: O menswear entra em movimento

Com a 109ª edição do Pitti Uomo, a principal vitrine mundial dedicada ao menswear, Florença reafirma seu papel como epicentro do gosto e da inovação setorial. O tema institucional, “Motion”, atua como fio condutor capaz de unir dinamismo estético e funcional, introduzindo uma nova narrativa: uma moda pensada não apenas para ser vista no corpo, mas em movimento, entre estilos de vida e expectativas culturais.

O movimento como linguagem

O rigoroso conceito de “Motion” se traduz em silhuetas dinâmicas e peças que parecem dialogar com o corpo. A alfaiataria se torna mais leve, dando espaço a roupas desestruturadas, enquanto casacos amplos e calças macias com pregas profundas sugerem uma elegância em transição, perfeitas para um guarda-roupa que transita com naturalidade entre ambientes urbanos e outdoor.

Marcas de destaque: herança e modernidade

Em um cenário que equilibra tradição e inovação, alguns protagonistas históricos reafirmam sua centralidade. Marcas como Barbour, Filson e Baracuta voltam aos holofotes com coleções que combinam o classicismo britânico com a funcionalidade outdoor contemporânea, inclusive em cápsulas colaborativas de forte impacto visual.

A Guess com suas linhas Guess Man e Guess Jeans, incorpora um lifestyle fortemente ligado ao denim e ao espírito da Costa Oeste americana, enquanto a Schneiders Salzburg marca o retorno do tradicional loden, pronto para um relançamento global.

Novas entradas e nomes emergentes

Ao lado dos grandes nomes, o Pitti Uomo 109 aposta na descoberta de novos talentos e referências internacionais:

• Soshi Otsuki e Hed Mayner, guest designers da temporada, levam à Fortezza uma visão contemporânea da alfaiataria filtrada entre Oriente e Ocidente.

• Shinyakozuka, marca japonesa conhecida por proporções ousadas e detalhes pintados à mão, é protagonista de um Special Event e de uma exposição no percurso Futuro Maschile.

No rico mosaico de marcas presentes, destacam-se ainda Final Draft, Glenover, Mestra, Hippy Realisti e Inis Meáin Ireland, que combinam pesquisa estética e excelência artesanal.

Cenas globais e contaminações contemporâneas

A seção China Wave reafirma a presença da moda chinesa contemporânea com nomes como A. New Studio, Wu Rang, Times Infinity e Zivgrey, trazendo uma sensibilidade estética diferente, porém coerente com a ideia de movimento global do menswear.

Ao lado deles, marcas como Bareen (Dinamarca), Allbirds (EUA), Refregue e Run of Runarchy Attitude (Itália) representam uma geração que entrelaça sustentabilidade, performance e estilo urbano de forma fresca e bem definida.

Reflexões de estilo: além da superfície

Mais do que uma simples feira, o Pitti Uomo 109 se apresenta como um laboratório de ideias onde conforto e funcionalidade dialogam com elegância e identidade cultural. O outerwear técnico não é apenas performance, mas uma forma de contar histórias; a artesanalidade não é nostalgia, e sim uma atitude projetual. E as novas presenças internacionais reforçam a noção de uma moda sem fronteiras rígidas, feita de percursos fluidos e interconectados.

Concluindo  esta edição é mais uma prova de que o futuro do menswear não segue fórmulas estáticas: ele se move, se transforma e se enriquece com vozes diversas. Entre marcas históricas, novos talentos internacionais e designers disruptivos, o Pitti Uomo 109 desenha o perfil de uma moda em constante evolução, mais consciente, mais global, mais viva.

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