sáb. fev 28th, 2026

Osteria della Parola, em Prati o sabor começa com uma frase

Em Roma, restaurantes abrem todas as semanas. Novas placas, novas promessas, novas histórias disputando atenção. Mas, de vez em quando, algo diferente acontece. Não é apenas uma abertura. Não é só mais um endereço no mapa gastronômico da cidade. É, antes de tudo, uma ideia.

Na região de Prati nasce a Osteria della Parola, e o próprio nome já antecipa que ali não se vai apenas para comer. Vai-se para ouvir. Para ler. Para atravessar aquele limite sutil em que a cozinha deixa de ser apenas técnica e se transforma em narrativa.

Aqui, o menu não descreve. Conta.

Não explica simplesmente o que há no prato, mas conduz o cliente por pequenas cenas, imagens, ironias delicadas que brincam com a romanidade sem jamais traí-la. A cozinha permanece profundamente romana, mas escolhe se expressar com leveza, inteligência e aquele sorriso discreto que torna tudo mais humano.

“Se você diz carbonara, diz Roma,
coma e ganhe o diploma de romano.”

Não é apenas uma frase espirituosa. É uma declaração de intenções. Dentro dessas palavras está a essência do restaurante: tradição, sim, mas sem rigidez. Memória, sim, mas sem nostalgia vazia.

A cozinha está sob o comando de Giacomo Meschini, nascido em 1993, nome já conhecido nas casas do grupo. Sua abordagem respeita os clássicos como quem domina a gramática de uma língua materna. Amatriciana, cacio e pepe, carbonara não surgem reinventadas para surpreender, mas preservadas para convencer. Ao lado, massas frescas feitas na casa, pratos que evocam domingos romanos, molhos lentos, manteigas que unem, Parmigiano que envolve.

E então, a pizza.

Romana, naturalmente. Baixa, crocante, com aquele som inconfundível que antecede o sabor. No forno Valoriani, Matteo Forcella interpreta a pizza não como alternativa à cozinha, mas como parte essencial do discurso gastronômico do espaço. Uma pizza pensada para compartilhar, abrir a refeição, quebrar o gelo.

Enquanto os pratos chegam, o ambiente ao redor continua a dialogar.

Os interiores, assinados por Michela Massimi, evitam qualquer exagero cenográfico. Elegância sóbria, tons quentes, bordeaux profundos, madeira, toalhas brancas. Um espaço que não distrai acolhe. Uma das paredes se transforma em um verdadeiro “muro de palavras”, onde frases e pensamentos tornam-se elementos visuais, enquanto uma fonte cenográfica deixa correr um vermelho que remete ao vinho, à convivência, ao tempo desacelerado. Mas o detalhe mais interessante não está nas paredes. Está nas mãos dos clientes.

Um marcador de páginas. Diferente para cada pessoa. De um lado, uma palavra, um verso, um jogo linguístico. Do outro, um espaço em branco. Um convite silencioso para escrever, registrar um pensamento, deixar uma marca, tornar-se parte da narrativa do lugar. Não mais espectadores, mas autores. Não apenas clientes, mas presenças.

Em uma época em que tantos restaurantes buscam constantemente o efeito especial, a Osteria della Parola aposta em algo mais sutil e talvez mais duradouro: devolver valor à experiência.

Comer transforma-se em leitura.
Ler transforma-se em memória.
Memória transforma-se em história.

E Roma, mais uma vez, mostra sua capacidade rara de acolher ideias que não gritam, mas permanecem.

Info

Osteria della Parola
Via Ennio Quirino Visconti 52, Roma

A partir de março, aberto para almoço e jantar todos os dias.

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