Sob forte pressão e diante de uma comunidade italiana em rápida expansão, o Consulado Geral da Itália em São Paulo apresentou um balanço de suas atividades recentes, destacando números que ajudam a dimensionar a complexidade do trabalho realizado. Em coletiva de imprensa, o cônsul-geral Domenico Fornara traçou um panorama dos resultados alcançados e dos desafios que se impõem para os próximos anos.
Ao todo, foram cerca de 53 mil novos inscritos no registro consular. “É um número que não existe em nenhum outro consulado geral no mundo, nem mesmo Buenos Aires ou Londres”, afirmou. Com isso, o total de cidadãos cadastrados chegou a 390.038, um crescimento de 47% em cinco anos. “É como se o consulado de São Paulo fosse o município de Bolonha”, disse ironicamente.
Esses números ajudam a explicar a crescente carga de trabalho enfrentada pela estrutura consular. “Os novos cidadãos, a partir do momento em que são reconhecidos como italianos, têm o direito de solicitar serviços consulares, como a emissão de passaportes, documentos de identidade” e, muitas vezes, “os solicitam todos ao mesmo tempo”. Ao longo de um ano, foram emitidos 39.571 passaportes e 2.234 vistos de trabalho, além de mais de 11 mil práticas de estado civil e 4.541 atos notariais. A esse volume se somará, a partir de 2026, a emissão do documento de identidade eletrônico, acumulando “mais uma função”.
Segundo Fornara, o trabalho desenvolvido reflete um esforço contínuo para responder às necessidades de uma comunidade italiana numerosa e em constante crescimento, apesar das limitações estruturais enfrentadas pela rede consular. A prioridade, ressaltou, é garantir continuidade e eficiência no atendimento ao público, com melhorias operacionais e uma gestão orientada para resultados, de modo que o consulado siga funcionando como um ponto de referência confiável para os cidadãos italianos no Brasil.
Ao olhar para o futuro, o cônsul apontou as principais dificuldades que ainda precisam ser enfrentadas. Entre elas, destacou-se a questão do registro de menores, considerada uma das situações mais sensíveis e complexas para as famílias italianas no país. Uma das mudanças fixou em 31 de maio de 2026 o prazo para que pais apresentem a declaração de vontade para a aquisição da cidadania por filhos menores de idade nascidos no exterior antes de 25 de maio de 2025. Isso “despertou” muitos pais e levou a uma “corrida” ao consulado, em que “estamos tentando atender a todos”, disse.
Outro eixo central do pronunciamento foi o fortalecimento da relação entre o consulado e a comunidade italiana. Nesse contexto, Fornara mencionou iniciativas voltadas à aproximação direta com os cidadãos, como o café com o cônsul, concebido como um espaço informal de escuta e diálogo. A proposta é reduzir a distância entre a instituição e os usuários dos serviços consulares, criando oportunidades de contato direto e troca de informações.
A modernização e a digitalização dos serviços também foram abordadas como caminhos necessários para lidar com o aumento da demanda. Fornara observou que a adoção de ferramentas digitais é essencial, mas reconheceu que a transição envolve desafios técnicos e organizacionais. Segundo ele, a modernização deve caminhar junto com a reorganização dos fluxos de trabalho e com o uso mais eficiente dos recursos disponíveis.
Encerrando seu pronunciamento, o cônsul reforçou o papel do consulado como instituição pública a serviço dos cidadãos, sublinhando a responsabilidade de garantir direitos e oferecer respostas claras à comunidade. A mensagem final foi de continuidade do trabalho, com atenção especial aos desafios que se impõem nos próximos anos.
O consulado italiano de SP em números: avanços em 2025, diálogo com a comunidade e desafios pela frente

