Faltam poucos dias para a largada oficial das Olimpíadas de Inverno e, em
Milão, o clima já é de cidade em ebulição. Antes mesmo das primeiras provas,
um detalhe bem concreto chama a atenção de quem chega ou planeja chegar à
capital lombarda: o preço dos hotéis.
Durante o período olímpico, dormir em Milão custa, em média, 299,4 euros
por noite em um quarto duplo. É um aumento de 92% em relação à média anual,
segundo levantamento da Albergatore Pro, empresa especializada em
consultoria e formação no setor hoteleiro publicato pela imprensa. Para muitos visitantes, o impacto é
sentido antes mesmo de colocar os pés na cidade.
O dado chama atenção, mas não surpreende quem acompanha o calendário
milionário de eventos milaneses. Em 2026, a cidade deve receber mais de 5,6
milhões de visitantes, impulsionada por feiras internacionais, semanas de
design, congressos e, agora, pelo maior evento esportivo de inverno do
planeta. Em comparação com o ano passado, uma noite em hotel durante grandes
eventos já está 23,8% mais cara do que em 2025.
Curiosamente, as Olimpíadas não são o único momento em que Milão vira um
território quase exclusivo para quem pode pagar mais. A Design Week e o
Salone del Mobile, por exemplo, lideram o ranking dos aumentos: as tarifas
chegam a ultrapassar 322 euros por uma dupla, mesmo com um volume de
visitantes inferior ao esperado para os Jogos. Em Milão, nem sempre o número
de pessoas explica sozinho o valor da diária.
Ainda assim, o período olímpico tem um peso simbólico especial. É quando a
cidade se apresenta ao mundo não só como capital da moda e do design, mas
também como palco esportivo global. Hotéis cheios, restaurantes lotados,
idiomas diferentes nas ruas e uma logística urbana levada ao limite fazem
parte desse retrato.
A taxa de ocupação já contratada para o período olímpico gira em torno de 75%, a
que se soma um típico movimento de reservas de última hora do mercado
milanês. Na prática, isso significa que o esgotamento total dos quartos é
quase certo, um cenário recorrente quando a cidade entra em modo “grande
evento”.
Depois das Olimpíadas, Milão não desacelera. Eventos como a Artigiano in Fiera,
em dezembro, e a Eicma, tradicional feira de motos, devem continuar
pressionando preços e disponibilidade. Para quem visita, fica a sensação de
participar de um momento histórico. Para quem vive na cidade, o aumento faz
parte do custo invisível de sediar o mundo, mesmo quando a chama olímpica
ainda está prestes a ser acesa.
Milão olímpica: cidade já sente clima dos Jogos e o preço dos hotéis dispara

