seg. jan 12th, 2026

Itálianos economizam mais do que consomem, enquanto no Brasil poupança e consumos ficam estável



Na Itália, uma tendência marcante começou a ganhar corpo ao longo de 2025: apesar do aumento do poder de compra das famílias, elas preferem guardar dinheiro em vez de gastar, elevando sua propensão ao risparmio a níveis que não se viam desde o terceiro trimestre de 2009, excluindo a fase mais intensa da pandemia.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (Istat), o poder de compra subiu 1,8% no período, mas a propensão ao consumo ficou fraca, enquanto o comportamento cauteloso impulsionou a poupança familiar. Uma resposta das famílias às incertezas econômicas e à inflação persistente, que mantêm o consumo em um ritmo lento.

Esse quadro de reserva e cautela se manifesta também no aumento dos preços dos bens essenciais: em dezembro, o custo dos itens de maior frequência de compra registrou alta de 2,2% na comparação anual, refletindo pressões inflacionárias sentidas no dia a dia dos consumidores.

No Brasil, o padrão de comportamento das famílias apresenta diferenças relevantes, ainda que o cenário também seja de consumo contido. Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o consumo das famílias cresceu apenas 0,1% no terceiro trimestre de 2025, um ritmo praticamente estagnado em meio a um PIB que também teve desempenho modesto. A margem para aumento do gasto das famílias segue limitada, mesmo com algumas variações positivas ao longo de 2025.

Em termos de poupança agregada, os indicadores mostram que a taxa de poupança doméstica brasileira — calculada como parte da renda interna bruta que não é consumida — ficou em cerca de 14,5% do PIB, estável em relação ao ano anterior, segundo dados do IBGE.

Correio Braziliense Isso indica que, diferentemente da Itália, onde há uma clara elevação da propensão a guardar recursos, no Brasil a poupança das famílias tem se mantido estável frente ao desempenho econômico, sem grandes aumentos apesar da cautela dos consumidores.

As razões para esse comportamento no Brasil podem estar associadas tanto ao ritmo lento do consumo — que embora ainda represente uma parcela significativa da atividade econômica, avança de forma moderada — quanto às condições macroeconômicas do país, como juros elevados.

Enquanto isso, a Itália vive um momento em que as famílias acumulam reservas com mais intensidade, refletindo uma visão prudente diante de um cenário de inflação e câmbio incerto. O contraste com o Brasil evidencia como diferentes realidades econômicas influenciam o equilíbrio entre consumo e poupança, moldando o comportamento das famílias em cada país.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *