qui. jan 8th, 2026

Itália em 2026: referendo e eleições locais mantêm agenda política ativa



O ano de 2026 deveria ser, em teoria, um período de menor intensidade eleitoral na Itália. Sem eleições nacionais, europeias ou regionais previstas, o calendário parecia destinado a uma pausa institucional. No entanto, a realidade será bem diferente. Entre um referendo de grande impacto político e eleições administrativas em dezenas de municípios, os italianos voltarão às urnas em vários momentos ao longo do ano.

O principal evento do início de 2026 será o referendo sobre a separação das carreiras dos magistrados, previsto para o mês de março. A consulta, que toca diretamente no equilíbrio do sistema judiciário, tornou-se um dos temas mais polarizadores do debate político. A hipótese mais provável é que o referendo ocorra entre os dias 15 e 26 de março, embora a data definitiva ainda não tenha sido fixada.

O governo defende a realização do voto antes da Páscoa, em 5 de abril, para evitar uma excessiva politização do tema e possíveis impactos sobre a renovação do Conselho Superior da Magistratura. A oposição, por sua vez, acusa o Executivo de tentar controlar o calendário por conveniência política, mantendo o confronto aberto.

Na primavera, o foco se desloca para as eleições comunais. Os municípios que haviam votado no segundo semestre de 2020, devido ao adiamento causado pela pandemia, retornarão às urnas entre 15 de abril e 15 de junho de 2026, com o objetivo de se realinhar ao calendário ordinário. Nas regiões de estatuto ordinário, estima-se que mais de 4 milhões de eleitores sejam chamados a votar.

Entre os municípios envolvidos, o maior destaque é Veneza, onde será escolhido o sucessor de Luigi Brugnaro, que conclui seu segundo mandato. No extremo oposto está Briga Alta, pequeno município do Piemonte com apenas 38 habitantes. A lista inclui ainda cidades importantes como Mantova, Lecco, Arezzo, Macerata, Fermo, Chieti, Andria, Trani, Crotone e Reggio Calabria. Na Sicília, região de estatuto especial, também irão às urnas Agrigento e Enna.

O Vêneto terá um papel específico no calendário eleitoral com a realização de eleições suplementares. Será necessário eleger o sucessor de Alberto Stefani, que deixou a Câmara dos Deputados após ser eleito governador regional, e preencher o assento de Massimo Bitonci, vago após sua nomeação para o governo regional. No caso de Stefani, a eleição suplementar deverá ocorrer até 9 de março, respeitando o prazo legal de 90 dias desde a declaração da vacância do cargo.

Assim, longe de ser um ano neutro, 2026 se apresenta como um período de intensa atividade política. Entre referendo, eleições municipais e votações suplementares, a Itália manterá aceso o debate institucional, com reflexos diretos também para os italianos que vivem no exterior e acompanham de perto as transformações do sistema democrático do país.

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