qui. jan 8th, 2026

Itália diz sim ao Mercosul após UE reforçar apoio à agricultura



A Itália mudou oficialmente de posição sobre o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. De Paris, a primeira-ministra Giorgia Meloni confirmou o aval italiano à assinatura do tratado, após Bruxelas anunciar um reforço histórico dos recursos destinados à agricultura europeia. A decisão marca uma virada política relevante e recoloca o acordo com a América do Sul no centro da agenda europeia.

A Comissão Europeia anunciou a intenção de modificar a proposta de orçamento plurianual 2028–2034 para permitir aos agricultores acesso antecipado a cerca de 45 bilhões de euros adicionais, somando-se a outras medidas de apoio ao setor. O gesto responde às fortes preocupações levantadas por países como a Itália, onde produtores temiam os impactos do Mercosul sobre a competitividade e a renda agrícola.

O novo cenário será analisado em uma reunião extraordinária dos ministros da Agricultura dos 27 países da União Europeia, marcada para 7 de janeiro, com o objetivo de verificar se há consenso suficiente para o sinal verde definitivo ao acordo. Caso isso ocorra, a presidente da Comissão Europeia poderá viajar à América do Sul para a assinatura formal, em um momento simbólico de transição da presidência do Mercosul do Brasil para o Paraguai. As resistências de Italia e França causaram o adiamento da assinatura, prevista no summit de Foz de Iguaçu no passado 20 de dezembro.

A posição italiana foi explicitada pela própria Meloni, que saudou a mudança de rumo em Bruxelas. “Acolho com satisfação a decisão da Comissão Europeia de modificar, como solicitado pela Itália, a proposta do novo quadro financeiro plurianual para disponibilizar, já a partir de 2028, mais 45 bilhões de euros para a Política Agrícola Comum”, declarou.

“Juntamente com os recursos adicionais atribuídos em novembro para atender às solicitações do Parlamento Europeu, esta iniciativa não apenas alcança o objetivo de confirmar também no futuro o atual nível de financiamento, como pedido pelos agricultores italianos e europeus, mas coloca à disposição recursos adicionais. Trata-se de um passo positivo e significativo nas negociações que levarão ao novo orçamento da UE, demonstrando que a linha de bom senso em apoio à agricultura europeia, defendida com determinação pelo governo italiano, encontra cada vez mais escuta em Bruxelas”.

Na mesma linha, o ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida, destacou os ganhos concretos para o país e para o bloco europeu. “Para a Itália, o saldo é de mais 10 bilhões de euros para a agricultura, enquanto, em nível da União Europeia, o aumento potencial dos recursos pode chegar a mais 94 bilhões de euros para as políticas agrícolas, com um orçamento total de cerca de 387 bilhões de euros em sete anos”, afirmou. Segundo o ministro, “a agricultura e os agricultores italianos poderão agora exercer plenamente sua função de garantidores da soberania alimentar e de guardiões do território, com o reconhecimento de uma renda justa”.

A nova postura italiana também contribuiu para destravar resistências em outros países. O presidente francês Emmanuel Macron, que em dezembro havia freado o acordo, manifestou apoio ao reforço da Política Agrícola Comum, sinalizando uma convergência inédita entre grandes países europeus.

Com o apoio explícito de Roma, o acordo UE–Mercosul entra em uma fase decisiva. Para o Brasil e os demais países sul-americanos, a mudança italiana representa um sinal político forte de que o tratado, negociado por mais de duas décadas, pode finalmente se tornar realidade.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *