qua. jan 7th, 2026

Itália aposta no undertourism em 2026

O turismo italiano encerra 2025 com números históricos. Recorde de visitantes, aumento dos gastos e uma demanda internacional sólida. Mas a verdadeira notícia não está apenas nos resultados: está na mudança de rumo. Depois de anos concentrando turistas em poucos destinos famosos, a Itália passa a apostar de forma estratégica no undertourism, um conceito que redefine a forma de viajar pelo país.

Os dados confirmam um setor forte. Nos primeiros nove meses do ano, as presenças ultrapassaram 400 milhões, com projeção de quase 480 milhões até o fim de 2025. O país supera a França em fluxos totais e se aproxima da Espanha. Mais da metade dos visitantes vem do exterior, e eles ficam mais tempo: a permanência média sobe para 3,6 noites, sinal de um turismo mais consciente e menos acelerado.

Do ponto de vista econômico, o cenário também é positivo. A despesa turística internacional cresce e o saldo da balança turística atinge níveis recordes. O turismo segue como um dos pilares da economia nacional. Mas esse sucesso trouxe um alerta: o modelo baseado em poucos centros superlotados tem limites claros.

É aqui que entra o undertourism. O termo define a estratégia de valorizar destinos pouco explorados, redistribuindo os fluxos turísticos. Em vez de repetir sempre os mesmos roteiros, o foco passa a ser vilarejos, áreas internas, ilhas menores e regiões fora do circuito tradicional. Lugares onde a identidade italiana se manifesta de forma mais autêntica.

Hoje, grande parte do turismo se concentra em uma fração mínima do território. O resultado é superlotação, desgaste urbano e experiências padronizadas. O undertourism propõe o oposto: viagens mais lentas, sustentáveis e humanas. Não se trata de reduzir o turismo, mas de qualificá-lo.

Nesses territórios menos conhecidos estão muitas das grandes riquezas do país: tradições locais, gastronomia de origem, festas populares e histórias ainda pouco contadas. Ali, viajar volta a significar descobrir e se conectar, não apenas visitar.

Por isso, 2026 já surge como um ano estratégico. A Itália trabalha em um plano de longo prazo para o turismo, integrando políticas públicas, empresas e comunidades locais. O marketing também muda de tom: menos imagens genéricas, mais narrativas reais. Menos destinos saturados, mais lugares a revelar.

O digital reforça essa transformação. Plataformas oficiais passam a oferecer conteúdos e serviços que facilitam a escolha de destinos alternativos, tornando o planejamento de viagens fora do óbvio cada vez mais simples.

Assim, 2025 não entra para a história apenas pelos recordes. Entra como o ano em que a Itália repensou seu próprio modo de receber o mundo. Com um patrimônio tão vasto, o desafio deixa de ser atrair mais turistas e passa a ser conduzi-los melhor. E o undertourism se apresenta não como tendência passageira, mas como o caminho mais maduro para o futuro do turismo italiano.

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