No coração pulsante do Centro Histórico de Roma, entre o Campo de’ Fiori e a Piazza Farnese, abre-se uma das pequenas praças mais pitorescas e discretas da cidade: a Piazza (ou Largo) dei Librari. Trata-se de um pequeno espaço trapezoidal, quase escondido no labirinto de ruas renascentistas, e justamente em uma de suas extremidades encontra-se uma das surpresas mais fascinantes para quem gosta de descobrir a estratificação histórica de Roma: a igreja de Santa Bárbara dos Livreiros.
Essa igreja, de aspecto recolhido e humilde, parece quase incrustada entre os antigos palácios, como uma joia preciosa que a cidade decidiu não exibir, mas guardar com discrição. Suas origens são antiquíssimas: uma estrutura sagrada existe aqui pelo menos desde o século XI, provavelmente construída sobre um pequeno edifício de culto anterior, parte das ruínas do antigo Teatro de Pompeu, o monumental teatro onde, segundo a tradição, Júlio César foi assassinado em 44 a.C.
Ao longo dos séculos, a igreja mudou de fisionomia e de função. Em 1601, o papa Clemente VIII confiou-a à Universidade dos Livreiros, a corporação de editores, tipógrafos, livreiros e encadernadores, da qual deriva o nome da praça e o próprio título que ainda hoje distingue o edifício sagrado. Os membros da confraria acrescentaram-lhe o título de São Tomás de Aquino, seu santo padroeiro, e promoveram a restauração da igreja, transformando-a em um lugar de culto e de encontro para a comunidade.
Em 1680, a igreja foi reconstruída em estilo barroco, com uma fachada elegante e bem proporcionada, enriquecida por uma estátua de Santa Bárbara em uma nicho acima do portal, obra do escultor Ambrogio Parisi. O efeito cenográfico ainda hoje é marcante: a igreja parece emergir do tecido urbano como se sempre tivesse estado ali, parte integrante da vida da cidade.
No interior, a nave única acolhe estuques brancos e testemunhos artísticos de diferentes épocas: um crucifixo de madeira do século XIV, um tríptico do século XV com a Virgem com o Menino ladeada por São João Batista e pelo arcanjo Miguel, além de um órgão seiscentista de grande valor histórico.
Como muitas pequenas igrejas de Roma, Santa Bárbara dos Livreiros também conheceu períodos de abandono: após a dissolução da confraria, em 1878, foi dessacralizada e utilizada por longo tempo como depósito, até ser restaurada e reaberta em 1982.
Hoje, o Largo dei Librari é mais do que uma simples pracinha: é um daqueles lugares onde a história de Roma se percebe no espaço, no tempo e na pedra. A pequena igreja, incrustada entre antigos palácios e ruas de paralelepípedos, conta a história de bairros vibrantes feitos de oficinas e artes, de confrarias e ofícios, e convida o visitante a parar, mesmo que por um instante, para descobrir que, mesmo nas áreas mais escondidas, a Roma antiga continua viva.

